|
25/06/2006
2h21m
O
Trem das 7
Eu
tenho uma propensão, por mim ainda não suficientemente estudada,
respectivamente, não suficientemente explicada, de me sentir atraído e,
mesmo, de gostar dos discursos que, em tese, desestabilizariam minha
situação religiosa. Eu gosto de ler os críticos. Gosto de sentir as
suas setas afiadas cortando o vento, sibilando, violentas, na direção do
meu peito... Fico ofegante, esperando a chegada delas, como a criança,
depois de sua primeira tempestade de raios no Centro-Oeste.
Devia ter escrito: eu
só
gosto de ler os críticos. Por que é a pura verdade. E não necessariamente para segui-los, mas,
novamente por aquela estranha e não ainda diagnosticada propensão a me
lançar contra as rochas cortantes da arrebentação, simplesmente para vê-los dizer tudo contrário
do que, dada a minha posição religiosa, deveria eu dizer. Leio-os
dizendo o que dizem, e sinto-me satisfeito - quase como se tivesse passado
uma noite inteira orando. O que não é absurdo, porque sei que oro
enquanto leio, não como quem pede socorro, mas para agradecer. E,
também, a companhia. Porque, vai-se lá me dar ouvidos, sinto que Deus
lê comigo.
Não
é por outra razão que eu gosto de ouvir algumas - não todas -
músicas do Raul Seixas. A letra de Metamorfose Ambulante, por
exemplo, está lá, ilustrando a
Abhadya,
no meu comentário ao
Übermensch
de Nietzsche, também ele um seteiro estimado. Deu-me vontade,
agora, de compartilhar com alguém a letra de
O Trem das
7.
Eu
comecei a desenhar esse comentário numa aula de Teologia Brasileira
que dei. Escolhemos, os alunos e eu, analisarmos uma série de
letras de MPB, escolhendo aquelas que tivessem alguma relação com
o tema "religião". Um aluno, o Anderson, escolheu O Trem
das 7. Levamos um CD para a aula, distribuímos cópia da letra
entre nós, e, depois de ouvir a música, começamos a prestar
atenção ao que estávamos, agora, lendo.
O
Trem das 7 foi lançado em 1974. Fazia parte do álbum Gita, que,
além da faixa homônima e da que vou comentar, trazia, ainda, Medo
da Chuva e Sociedade Alternativa. Eu tinha, então, nove anos. Dez
eu os faria no final daquele ano. Morava, nessa época, em Mesquita
- como ainda.
Era, contudo, à época, um menino criado dentro de casa - literalmente.
Minha mãe não permitia que eu, meu irmão e minhas duas irmãs
brincássemos na rua. Brincávamos no quintal de casa mesmo. E meu
avô e minha avó não gostavam de deixar, e não deixavam, outros meninos
e meninas brincarem em nosso quintal. Estávamos sós. Isso
tinha um lado bom, e um lado ruim. Mas é assunto para outro dia. O
que importa, é que, agora, eu sei porque eu era tão alienado, tão
absolutamente alienado. Não tinha a mínima idéia do que essas
músicas significavam, e a única coisa que lembro da famosa
ditadura, que então rolava, eram os santinhos do MDB e da ARENA que,
competindo pelo maior bolo, recolhíamos em frente de casa. Era um mar de
papel a Avenida São Paulo.
Dois
anos antes, começara, e mais ou menos um ano antes, terminara a
novela Selva de Pedra, um fenômeno de audiência, que parece ter
mantido muita gente grudada na tela da televisão, inclusive
religiosas, como, li na rede, a Mãe Menininha do Gantois. Minha avó
e minha mãe também ficavam grudadas. E eu, com elas. Não entendia
muita coisa. Lembro de menos ainda. Mas não esqueço o
"moço" com o bumbo, na praça, cantando: "passa de
mil, não passa de dois mil". Essa é a parte da novela que me
acompanhou durante um bom tempo. Foi no meio de Selva de Pedra que
fiz meus cabalísticos 7 anos...
1972,
1973, 1974. No começo, o Francisco Cuoco tocando o bumbo na praça.
No final, Raul Seixas cantando O Trem das 7. Quero juntar as duas
pontas, e escrever, aqui, o que disse em sala de aula. Quero contar
como entrevi uma relação de conflito e confronto entre as duas cenas - o
bumbo na praça, evangélico, o apito do trem, alternativo. Mostrar como
acho ser possível que Raul Seixas tenha reagido ao repertório
homilético evangélico.
Vamos
ler a letra de O Trem das 7. Ói,
ói o trem, vem
surgindo de trás das montanhas azuis, olha
o trem Ói, ói o trem, vem
trazendo de longe as cinzas do velho éon Ói, já é vem,
fumegando,
apitando, chamando
os que sabem do trem Ói, é o trem, não
precisa passagem nem
mesmo bagagem no trem Quem vai chorar, quem vai sorrir?
Quem vai ficar, quem vai partir? Pois o trem está chegando,
tá
chegando na estação
É o trem das sete horas, é
o último do sertão, do sertão Ói, olhe o céu,
já
não é o mesmo céu que você conheceu, não
é mais Vê, ói que céu, é
um céu carregado e rajado, suspenso no ar Vê, é o sinal,
é
o sinal das trombetas, dos anjos e dos guardiões Ói, lá vem deus,
deslizando
no céu entre brumas de mil megatons Ói, olhe o mal, vem
de braços e abraços com o bem num
romance astral
Amém.
Agora,
passo a comentar a letra, e a juntar as duas pontas da corda.
Enquanto a aula se desenrolava, e íamos comentando a letra,
pareceu-me que se tratava de uma polêmica com um discurso religioso
que propusesse alguma coisa parecida, mas diante do qual O Trem das
7 aparecia como um misto de ironia e revanche. Do discurso de O Trem
das 7, acabei considerando a possibilidade de que consistisse, a
letra, numa confrontação com o discurso evangélico - não
necessariamente (mas também por que não?) contra o discurso dos
Evangelhos: um homem da estação avista, acolá, um moço de bumbo, um
esperando o trem, o outro, indo pra praça. O Trem das 7
quer apitar mais alto do que o som do bumbo na praça. Com exceção do Amém
final, a carga de atualizações da
função fática da linguagem é impressionante: cada verso começa com um
vocativo - ói, olhe, vê. É uma autêntica pregação, que joga com a
velocidade do trem,
surgindo de trás das montanhas azuis,
que já é vem,
não tarda. Ói, é o trem:
chegou, não falei? Vamos
às pistas. Primeiro, o trem que vem, vem apitando e fumegando,
fazendo barulho, soltando fumaça, chamando
os que sabem do trem.
Diferentemente do bumbo na praça, que canta uma inaudita mensagem,
e reclama uma surpreendida platéia, o trem vem para aqueles que
sabem dele - e só estavam esperando que ele viesse. Seria essa
primeira confrontação ideológica apenas um mero detalhe? Então
vamos lá. O bumbo, cada vez que bate, avisa: "passa de mil,
não passa de dois mil", com o que, adverte: "vinde às
bodas! comprai as vestes!". A festa para a qual o bumbo chama
exige um bilhete. Quem não tem o bilhete, não tem nada, como o bem
aprendeu O Peregrino. Felizmente, a tempo. Já o trem, quem
o espera não precisa passagem.
O trem tá chegando na estação,
e basta que ele pare, e pronto - abrem-se as portas. Também estão
dispensadas as bagagem no trem:
estariam, o quê?, sendo dispensados os bumbos, as bíblias? De quantas
malas quer a letra deixar-nos aliviados? Um
trem que chega fazendo estardalhaço, do qual já se sabia que viria, e
vem, sem exigir passagem nem bagagem.
Quem vai chorar, quem vai sorrir?
O
bumbo que toca na praça fala de dias de juízo, de choro, de ranger de
dentes, de fim do mundo - de um lado, choro, do outro, riso. Advertidos
pelo bumbo, avisados pela música, com a passagem na mão, esperam,
esperam, esperam. Enquanto os desavisados comem e bebem, eles esperam,
esperam, esperam. Uma certa urgência do milênio distribui frêmitos
escatológicos: "passa de mil, não passa de dois mil". Esses
que aí vão rindo, amanhã, vão chorar. Mas eis que o que se ouvirá, diz a letra, é o
trem, que vem, já é vem.
E, aí, quem é que vai chorar mesmo? Quem é que vai sorrir, mesmo?
Quem vai ficar, quem vai partir? O
bumbo chama, o trem abre as portas - mas a letra quer confrontar as
expectativas. Cuidado, tocadores de bumbo na praça! Por muito certo que
pensem estar, cuidado! Cuidado, Pois o trem está chegando, tá
chegando na estação
É o trem das sete horas, é
o último do sertão, do sertão É
possível que Raul Seixas tenha se sentido incomodado com a pregação
evangélica? Que, incomodado por ela, tenha, à sua maneira, também ele
despejado sua pregação? Que
se trata da mesma espécie de anunciação, a do bumbo, e a do trem,
entrevia-se na polêmica de cá e de lá, mas, agora, tem-se arregalado
diante dos olhos: Ói, olhe o
céu. Que tem o céu? Ele
já
não é o mesmo céu que você conheceu, não
é mais. Transmutam-se os
céus, rajam-se as nuvens... Sim,
sim, diz o bumbo, os dois competem entre si, brandem suas espadas,
desembainhadas de seus púlpitos avançados: eis lá os céus, abrindo-se, como falávamos,
abrindo-se, como falávamos, exatamente como falávamos... Vê, é o sinal,
é
o sinal das trombetas, dos anjos e dos guardiões!
Como falávamos, como falávamos... Ói, lá vem deus,
deslizando
no céu, o Senhor seja
louvado! Não,
não. Não é como o bumbo falava, diz a letra. A letra diz que esse céu,
sim, vai se abrindo, sim, e que lá vem deus, sim, deslizando. Mas olhe lá,
mas olhe bem: vê deus? Pois olhe o mal, vem
de braços e abraços com o bem num
romance astral No
final, o bem e o mal estão abraçados - e revela-se que desfrutavam de um
romance astral. Não é de agora que estavam juntos...
|
|
Eu
penso que Raul Seixas bem pode ter escrito O Trem das 7 depois de ouvir as
pregações evangélicas nas praças, motivadas pelo sucesso do bumbo de
Selva de Pedra. Cultos na praça, filmes nas ruas, evangelização em
massa... E, quem sabe, pode ter querido responder, provocando. Quem sabe
não ouviu ele mesmo, quantas vezes?!, a pregação evangélica. Quem sabe
não se sentiu incomodado com ela? Que coisa esses bíblias: batem tão
alto esse bumbo que arriscam não ouvir o trem, que vem, o trem, que vem,
o trem, que vem, o trem... Se ele pôde, como disse
sua mãe, usar memórias do trem que tomavam de Salvador a Dias d'Ávila,
"é a saudade do trem das 7", é possível que tenha jogado para
dentro da poesia tanto memórias da infância, quanto confrontos
contemporâneos. E se a fundação da Sociedade Alternativa é de setembro
de 1973, como fundador dela, devia tomar como necessário o enfrentamento. Se
eu estiver certo, se de fato O Trem das 7 consiste numa
resposta-provocação de Raul Seixas à mensagem evangélica das praças,
não o culpo. Nem a ele, nem aos bumbos. O som monocórdio do couro e o
apito do trem estão escritos na mesma partitura - são esperanças
teológicas, apostas metafísicas, tesouros noológicos. Tesouros, apostas
e esperanças respectivamente apropriadas àqueles que se cercam deles.
Entre o "faze ao outro o que queres te seja feito", e o
"faze o que tu queres, há de ser tudo da lei", estendem-se dois
mil anos de história(s). Não
se trata, aqui, de decidir, se, afinal, Deus vai separar o bem do mal, ou
se deus já virá abraçado ao mal, saudando o povo que o aguarda na
estação. Se eu der a minha opinião, ou ela será como o som do bumbo,
como o apito do trem, ou como outro som qualquer. Que eu produzo, enquanto
durmo. O que importa é perceber riqueza de esperanças que movem os seres
humanos. Além
disso, o que isso significa? Antes de seu namoro forçado com os persas, e
seu adultério forçado com os gregos, os judeus não pensavam muito
diferente. No que diz respeito às suas concepções teológicas, o bem e
o mal estava inscritos no frontispício do mesmo Templo Celeste. Não é
que fossem monoteístas ou mesmo monolátricos, absolutamente. Não eram
é "dualistas" - o que quer que acontecesse na vida cotidiana ou
na vida política era tudo coisa igual: Deus fazia tudo. De bem e de mal.
Como um rei. Que faz, que pode. Quando faz o bem, bom, quando faz o mal,
ai!, e pronto. Fazer o quê? O mundo concreto da vida falava, aí, mais
alto do que as especulações idealistas da alma. Mas
depois não. Depois o tipo de conversa vai mudar. Vão se tornando um
pouco e cada vez mais abstratos, e Deus vai se tornar cada vez mais oposto
às evidências da vida, e, principalmente, cada vez mais bom. Logo terá
ficado tão bom, mas tão bom, que o mal não caberá mais nele, e terão
de arranjar um jeito de explicar esse precipitado discutidíssimo da vida
humana. E parece que não estarei cometendo nenhum equívoco histórico se
propuser como conveniente considerar-se que era tão grande o mal que cabia em
Deus, que se teve de criar setentrilhões de mil demônios para dar conta
de todas as mazelas que, doravante, Deus não podia mais assumir. O
Ocidente inteiro ouviu as novas histórias grego-pérsico-judaicas,
dourou-as com o fogo da justiça romana, pintou-as com o ouro e o vermelho
imperiais, escreveu-as em latim, construiu e construiu-se sob, sobre e a
partir delas. Esqueceu-se das antigas histórias judaicas. Vai-se
lembrando delas, recentemente, mas apenas como curiosidades de museu,
porque, ainda que a elíptica do tempo tenha riscado um curso próximo
àquela zona fria, seu curso se faz em espiral, se ascendente, não sei,
se descendente, sei lá, mas, certamente, não coincidente. Cazuza
sabia, Prigogine insiste, Morin afiança: o tempo não pára. Nem volta
atrás. O
bumbo é filho de um tempo. O trem, de outro. O que têm de igual:
consistirem em representações religiosas, descontentes com a vida tal
qual ela está. Do ponto de vista antropológico, olhando pela mesma
fresta pela qual olhou e ensinou a olhar Feuerbach, quem ouvisse ou o
bumbo, ou o trem, o mais que faria era dar de ombros, e continuar andando.
Alternativa? Pôr o dedo na boca, erguer o braço na altura da cabeça,
deixar o vento bater no dedo úmido, sentir-lhe a direção, precisar
exatamente a direção, e decidir-se pelo bum-bum, bum-bum, ou pelo
ôôôôôôô. Afinal, ainda que apostando na melhor aposta, já se disse
tratar-se essa uma questão de aposta... Por
outro lado, as letras que acompanham o som do bumbo e o apito do trem
produzem adequações sociais. Delas, salta-se para a questão da ordem
social, da estabilidade dos valores, e, então, pode parecer assustadora a
letra de Raul Seixas. A supressão dos valores, a equivalência dialética
entre o bem e o mal, assusta. É possível uma sociedade dar-se conta da
absoluta humanidade dos valores, sem que, incontinenti, imediatamente,
agora, já, tão rápido quanto o trem, não se destrua desde dentro, numa
orgia de morte e loucura? É por conta dos valores teológicos - pelo
menos, pelo amor de Deus!, tomados como teológicos - que a sociedade
mantém-se de pé, ainda que a vida seja, na prática, quando se tem o
poder de vê-la toda, por inteiro, como que de cima, um teatro dos
horrores? Eis,
então, a questão: preferir o bumbo ao apito do trem, porque o bumbo
marca a marcha organizada da sociedade, quando o apito do trem já anuncia
o barulho que vem por aí? No fundo, então, se trata de política? É
isso? Talvez
a religião tenha sido a inventora da cidade. Talvez os seres-humanos só
tenham conseguido conviver em sociedade, quando inventaram para si um
jeito de impor limites à barbárie, recorrendo à religião para isso.
Não que eu pense que a religião seja, necessariamente, isso, e que a
considere ópio. Ela pode servir, sim, para isso, e os jardins onde
floresce a religião podem constituir mesmo jardins de papoulas. O que
não significa que religião seja só isso, ou deva ser isso. O que estou
dizendo é que a religião, convenientemente instrumentalizada, consegue
pôr as coisas onde a Força e o Poder desejam que elas estejam. Não para
sempre, é claro, porque a Força e o Poder serão em breve corroídos
desde e por dentro, pela força e poder também incontrolável da
religião, de modo que a história dessa história é uma saga de
complexidades histórico-estruturais - liberdade e determinismo, sonho e
cárcere, memória e utopia. Se
a religião, vai ver, é a mãe das cidades, também é ela, com certeza,
a mãe dos aflitos. A esperança que ela nutre, sem outras garantias que
ela mesma - isso se a dor de quem sofre, e a vontade de que pare de doer,
não sejam garantias suficientes de que a religião é mesmo a mãe do
conforto. Tanto assim que pára de doer, quando a religião ilumina o
coração doloroso. Se pára por um instante, ou se pára pela vida
inteira, isso depende tanto da cultura, quanto da geografia e da história
- mas que pára, pára. Além de para a política, é também para a
medicina que servirá então a
religião? E
quanto à arte? E quanto à ciência? Como o Guimarães Rosa menino, que
não gosta da infância dos meninos, porque ela é invadida pela coação
intrometida dos adultos, que, contudo, apenas recalcam sua liberdade
ainda-não-civilizada, a religião, vá lá, castra, é verdade, apara,
não se vá negar, as asas, modela o barro humano e o põe a queimar no
forno das catequeses. Mas adianta? Mesmo castrado, o menino não sua, à
noite, em delírios? Mesmo sem asas, meninas não há que voam, nunca vi,
mas se diz por aí, em vassouras? Claro que há vasos tão modelados e
queimados, e tão perfeitamente adequados, que não apenas sustentam o
pequeno universo da flor que se abre sobre ele, mas guarda à sua volta um
outro mundo de líquens e musgos, que a flor tolera. O fato é que a
religião acaba por criar pequenos artistas e infantes cientistas, onde
só se quereriam monges mínimos. No
fim e ao cabo, para além do confronto entre bumbos de praça, e apitos de
trem que já é vem, o que sobra é a constatação de que a religião
está aí, construindo trens e bumbos, que enquanto bumbos e trens, não
se dão conta de que, à sua volta, outros sons podem ser ouvidos, outras
músicas, tocadas, outros chamados, gritados. Civilizados,
medicados, estéticos e sábios, chegará o dia em que não confrontaremos
mais nossas projeções? Mas não será, também aí, que começaremos
verdadeiramente a ficar surdos? |