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Eu
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conforme me descreveu Morin
27/08/2008
Na
falta de um modelo, um tipo de homem seria meu ideal. Seu equilíbrio se
modifica, se destrói e se reformula no campo de batalha das contradições.
Ele não quer deixar o terreno das contradições. Não quer expulsar o
negativo do mundo, mas participar de suas energias. Não quer destruir o
positivo, mas resistir à petrificação. Não quer nem escapar ao real
nem aceitá-lo, mas gostaria que o real fosse transformado e talvez
espere que este real seja um dia transfigurado. Esforça-se para tornar
criativa em si próprio a luta dos contrários. Tragédia e comédia,
epopéia e farsa estão para ele indissoluvelmente presentes a cada
instante. Ele se sabe enfermo, particular, mas o que o comove é a
universal miséria de cada um e não a solidão. A solidão é a
enxaqueca do mundo burguês. Este homem não odeia nada nem ninguém.
Suas duas paixões são o amor e a curiosidade. Sua curiosidade é uma
energia sem fronteiras. Seus amores não se excluem nem se tornam insípidos.
Este homem adulto é, ao mesmo tempo, muito velho, criança e
adolescente. Está sempre em formação. Obstina-se em procurar o além
(Edgar MORIN, “Fragmentos para uma Antropologia”, em Edgar MORIN, Em Busca dos Fundamentos Perdidos – textos sobre o marxismo. 2 ed.
Porto Alegre: Sulinas, 2004, p. 68-69).
Quase
chego a pensar, Morin, quase, que, quando Deus pingava a gota de mim
sobre a terra, perto da da Bel, um vento, não sei, um passarinho, vai
ver, molhou a patinha em ti, e contaminou-me, e fiz-me assim, tão
parecido contigo. Foi um acidente. Uma singularidade. Que bom, eu diria.
Aí, um dia, li-te, e descobri essa arte do passarinho travesso. Vi-ti
em mim, ou vi-me em ti. Bel, olha aqui - vê se isso não sou eu? E os
olhos dela, de quem tem, diante deles, uma criança a catar
dentes-de-leão no ar, sorriem, felizes. Porque seu amor encontrou uma
varanda. |