Encenação Histórico-teológica e Visão Profética

Fundamentação Hermenêutica da História nas Oito Visões de Zacarias

Osvaldo Luiz Ribeiro

 

 

Introdução

 

 

No nº 27 da Revista da Bíblia, disponível ao público no 3T02, tive a oportunidade de apresentar uma prévia do presente texto: O Profeta fala para seu tempo e seu lugar – um breve estudo de Zc 2,1-4[1]. Naquela ocasião, tentei analisar muito brevemente apenas as três primeiras “visões” do profeta, e ainda assim me detive na análise da segunda visão – a visão dos quatro harashim – que Almeida traduz “ferreiros”.

 

O contexto da nº 27 era outro, e minha ótica era hermenêutica. Tinha a intenção de argumentar que considerava – e considero – uma correta leitura dos textos proféticos, antes de tudo, a inserção do seu texto no seu ambiente de origem. No que diz respeito a algumas visões de Zacarias, por exemplo, há interpretações que as consideram apocalípticas (cf. Hartmut Gese, 1983, p. 190-218), e em que pese o fato de que seus argumentos devem ser considerados, estava inclinado a imaginar que muitos dos textos considerados apocalípticos eram assim tratados algumas vezes porque o sentido de “encenação histórica” presente na narrativa não estava disponível à primeira vista, e o sentido assim truncado e misterioso do texto soava apocalíptico (cf. para o caso do próprio Apocalipse, Eugênio Corsini, 1984).

 

O contexto do presente número da Revista da Bíblia é um olhar sobre a literatura apocalíptica. Como não me considero um especialista em literatura apocalíptica, pensei que seria relevante propor uma intuição mais ampla para o conjunto das oito visões de Zacarias, e, assim, completar a argumentação de que, na sua origem, não constituíam um fenômeno de literatura apocalíptica.

 

 

O contexto das oito visões de Zacarias

 

 

Da forma como vejo o conjunto de Zc 1,7-6,8*, não se trata nem de literatura apocalíptica, nem de visão extática. No meu modo de entender o texto, trata-se de uma encenação histórica. Dizendo de outro modo, o profeta testemunha acontecimentos que considera fundamentais e para os quais dá um sentido específico. Esses acontecimentos dizem respeito aos eventos históricos relacionados desde a construção do Segundo Templo; ao retorno da golah (os exilados); da promulgação da Lei; da tentativa de instalar a descendência davídica no trono; do expurgo da liderança feminina em Judá. São, assim, o repertório dos acontecimentos derivados da estratégia político-religiosa do governo persa e da elite sacerdotal judaica no projeto hegemônico de reconstrução de Jerusalém e do seu centro político-administrativo – o Templo.

 

No texto, essa história é encenada de forma metafórica ou simbólica. A realidade não é descrita sempre em seus próprios termos, mas alguns elementos do cenário histórico são identificados por figuras metafóricas ou simbólicas, como será o caso, por exemplo, da quinta e da sexta visões.

 

Terminada a leitura das oito visões, fica claro que o autor das oito visões ou faz parte da elite sacerdotal (é minha opinião), ou comunga com seus interesses político-religiosos. Sua leitura da História – dessa história da reconstrução de Judá em torno do Templo – serve aos interesses, primeiro, do império persa, e, ao mesmo tempo, ao interesse do próprio Templo e de sua estrutura sacerdotal. Definitivamente – pelo menos a julgar por essas oito visões – Zacarias (ou seja quem for o autor dessas oito visões) não se insere na agenda dos profetas críticos do período pré-exílio. Chego a considerar que Zacarias seja um sacerdote.

 

 

As oito visões de Zacarias

 

 

No que diz respeito ao espaço que temos para dialogar sobre o tema, o que poderia dizer das três primeiras visões de Zacarias está dito no nº 27 da Revista da Bíblia. Em resumo, poderíamos apenas recordar os pontos a seguir recapitulados.

 

Na primeira visão: (Zc 1,7-17), descreve-se em termos plásticos a argumentação quanto à necessidade de reconstrução do Templo de Yahweh. Se o Templo não for reconstruído, Yahweh não poderá retornar para Jerusalém – obviamente, um argumento sacerdotal (cf. Sl 102,12-22), em cujo programa político-religioso, o Templo se comporta como casa de Yahweh (v. 16).

 

Na segunda visão: (Zc 1,18-21), trata-se da argumentação plástica quanto quem deverá construir o Templo. O profeta vê quatro harashim. Essa é uma visão muito interessante, porque traz para a discussão a presença de uma categoria social em Israel que, a julgar pelo teor da polêmica anicônica presente no Segundo Isaías (Is 40-55), não era muito bem quista justamente pelo conjunto dos reformadores do culto israelita. É que os harashim eram metalúrgicos e cinzeladores, e eram assim acusados pelo fato de fabricarem ídolos de metal e de madeira (Is 40,19-20; 41,6-7; 44,9-20). Para um grupo de reformadores anicônicos – ou iconoclastas – fabricantes de ídolos não são lá uma categoria muito cômoda para a reconstrução do Templo.

 

Parece, contudo, que o profeta quer fazer entender que se não forem eles, os harashim, mesmo eles, os fabricantes de ídolos, o Templo não será reconstruído. É por isso que a segunda visão parece tanto com At 10,1-11,18 – as duas narrativas tentam fazer aos seus respectivos destinatários que não tem jeito. Enquanto Pedro argumento que o Senhor lhe mostrou o lençol, Zacarias argumenta que Yahweh lhe mostrou os quatro harashim. O Templo deve ser reconstruído!

 

Na terceira visão: (Zc 2,1-13), argumenta-se quanto à necessidade de retorno da golah. Observe-se o desenvolvimento poético nos v. 6-13 – apelo para o retorno. Ao retorno de Yahweh deve corresponder necessariamente o retorno da golah (cf. Sl 126).

 

Na quarta visão: (Zc 3,1-10), trata-se do conflito que a implantação do programa de governo da golah deve ter gerado. Não se pode perder de vista que durante os “setenta” anos de “cativeiro” (cf. Zc 1,12), uma grande população campesina permaneceu na terra, e, tudo leva a crer, foi assim desenvolvida uma sociedade de camponeses. É natural supor que essa sociedade já estivesse organizada e politicamente estruturada, com sua liderança formalizada e seu sistema religioso funcionando. Não é difícil de se imaginar o choque de interesses quando da chegada de uma elite sacerdotal com um programa hegemônico para a região. Ainda que essa elite deva ter tido a seu lado, em algum momento, a ratificação do poder persa, não devemos descartar a presença de conflitos abertos entre os grupos sociais da terra e a golah babilônica.

 

É relevante o fato de que o adversário acuse justamente a Josué, o sumo sacerdote. É o sumo sacerdote justamente o represente formal dessa nova organização político-religiosa que se impõe, sob os auspícios do império, sobre a população camponesa em Judá. É somente – quero crer – a descaracterização histórica do texto, e a sua leitura em chave apocalíptica ou alegórica, que poderia mudar a perspectiva de leitura: o conflito político-religioso passa a ser lido como um conflito “espiritual”. Essa leitura espiritualizante, contudo, parece muito mais fruto de um costume hermenêutico de leitura alegorizante e espiritualizante. Prefiro imaginar a possibilidade de que, reconstruído o Templo e retornando a golah, a questão da liderança torne-se o ponto da agenda do dia – e o sumo sacerdote é essa liderança.

 

Houve conflito. A quarta visão descreve esse conflito tomando o partido do sumo sacerdote – quem quer que o acuse, e do que quer que seja, é um adversário, um inimigo. E não só adversário do próprio sumo sacerdote Josué, mas adversário do próprio Yahweh. Conforme o autor da quarta visão escreveu, o Anjo de Yahweh, repreendendo o adversário que acusa Josué, diz que Yahweh elegeu Jerusalém. Em Jerusalém, senta-se no trono o sumo-sacerdote. Em outras palavras – o Anjo de Yahweh diz que Yahweh elegeu o sumo sacerdote. Quem é contra o sumo sacerdote é contra Yahweh.

 

Na quinta visão: (Zc 4,1-14) é uma visão aparentemente muito simples, mas que em termos históricos trás complicações. Vamos pelo caminho “aparentemente muito simples”. Trata-se de descrever uma possível dupla organização de governo sobre Judá – o príncipe Zorobabel, de um lado, sobre o trono, e o sumo sacerdote de outro. Observe o v. 14: “estes são os dois ungidos, que assistem junto ao Senhor de toda a terra”. São, segundo o estado atual do texto, as duas “oliveiras” à direita e à esquerda do castiçal de ouro (Zc 4,2-3).

 

A presença de Zorobabel nesse texto é um fator complicador. Uma saída exegética é, muitas vezes, propor que se trate de inserção posterior[2]. Fosse outro o espaço e o objetivo, penso que deveríamos caminhar por aqui, ou por algum caminho próximo. Como esse é o espaço, deixemos o fator complicador, e vamos apenas nos recordar de que é provável que tenha havido uma tentativa de fazer retornar ao trono de Judá um descendente – ou assim tomado como descendente – davídico. Os livros de História de Israel mencionam o fato, e surpreendem-se (quase) todos, como nós, de que depois de algumas menções de Zorobabel, desaparece qualquer referência a ele ou a pretensos outros herdeiros davídicos. Parece que o império não viu com bons olhos a tentativa de instalar no trono de Judá um outro “rei” – já que o rei é Dario I ou eventualmente outro imperador persa.

 

Na sexta visão: (Zc 5,1-4), argumenta-se a favor da Carta Magna da nova Judá. Naturalmente, penso que esse “rolo voante” (v. 1) deva ser tomado como uma descrição simbólica do Livro da Lei (cf. Ne 8). O tema da maldição relacionado ao rolo voante parece apontar para determinado trecho da primeira narrativa do dilúvio[3]. Segundo essa primeira narrativa, a causa do dilúvio foi o descumprimento da Lei (cf. Gn 6,11-13 e Ne 9,33-37). Quando termina o dilúvio e ‘Elohim (Deus) faz um pacto com Noé, Yahweh afirma que a terra não será mais “amaldiçoada” com o dilúvio, desde que os homens se comprometam com a Lei, a Aliança (sete vezes em Gn 9,8-17; cf. o compromisso assumido pelo povo em Ne 10,1-40). No centro do programa de governo da elite sacerdotal encontra-se a Lei.

 

Na sétima visão: (Zc 5,11), aparentemente a mais enigmática, penso estar a contraparte do conflito presente na quarta visão. Lá, Josué era acusado. Sua função de sumo sacerdote era questionada, e Yahweh ficara a seu lado – afinal, o sumo sacerdote é o eleito de Yahweh (Zc 3,2), é seu ungido (Zc 4,14). Nessa sétima visão, quero crer que se descreva a destituição da liderança da comunidade camponesa.

 

Vamos devagar. Trata-se de uma descrição simbólica. Não se trata, já dissemos, de uma visão extática, nem de um apocalipse em sentido estrito. Trata-se de uma descrição teológica da história, em chave simbólica. Vamos à visão. Trata-se de um efa, um vasilhame para comportar cereais; é isso que o profeta vê, e é explicado para ele que se trata da “iniqüidade de toda a terra” (v. 6). Levantada a tampa do efa, eis uma mulher sentada no fundo (v. 7). Então outras duas mulheres, essas de asas como de cegonhas, aproximam-se tendo “o vento” nas asas, e erguem o efa aos céus (v. 9). Essas mulheres de asas com vento levam o efa com a mulher dentro para a Babilônia (v. 11).

 

É uma visão difícil. Pela ótica que tenho aqui desenvolvido, ela descreve plasticamente, acontecimentos históricos representados, primeiro, teologicamente, e então, simbolicamente. Teologicamente, é interessante a presença feminina na descrição: é tanto uma mulher que está dentro de efa, quanto são mulheres (com asas!) que levam o efa e a mulher dentro do efa para a Babilônia!

 

Em termos plásticos, a cena é praticamente uma cópia da cena da saída da glória de Yahweh do Templo conforme descrita em Ez 10,18-22: os querubins de asas erguem a glória de Yahweh e a levam para a Babilônia (cf. Ez 11,22-25). Penso que essa semelhança na descrição seja uma chave hermenêutica. O que é levado para a Babilônia, nos dois casos, são a representação de uma divindade. Na “visão” de Ezequiel, trata-se de Yahweh (a sua glória); na “visão” de Zacarias, trata-se de uma deusaAsherah, eu julgo. Na visão de Ezequiel, quem leva a glória de Yahweh para junto dos cativos – para junto da golah (essa mesma que agora escreve as oito visões de Zacarias) – são os querubins; na visão de Zacarias, são representações de Lilith, demônios femininos alados da mitologia babilônica[4].

 

Não se trata da mesma coisa, contudo, mas do seu inverso: enquanto Ezequiel descreve Yahweh indo ficar junto com a golah na Babilônia, Zacarias descreve que quando a golah agora retorna (com Yahweh), a terra está tomada pela deusa. A deusa deve ser expulsa. Com a chegada de Yahweh e da golah – elite sacerdotal masculina – o culto da deusa Asherah deve ter sido proibido e perseguido, e essa estratégia histórica é descrita de forma plástica na sétima visão.

 

Penso, ainda, que a representação de Lilith não seja apenas incidental. Estou inclinado a crer que a liderança dos camponeses de Judá fosse eminentemente de gênero feminino – penso mesmo que profetisas extáticas femininas fossem as líderes dessa sociedade agrária instalada na terra durante do século VI. Aos olhos da elite sacerdotal da golah, essas profetisas eram como Lilith, demônios do deserto – que voltem para sua terra – é a interjeição da sétima visão. Não se pode perder de vista o fato de que é justamente nessa época – século VI a.C. – que “Israel” torna-se uma grandeza monoteísta. A sétima visão de Zacarias ilustra um desses movimentos pela luta contra a polilatria e o iconismo. Não estamos diante de uma visão, nem de um apocalipse – estamos diante de uma janela – vemos a História diante de nossos olhos.

 

Finalmente, na oitava visão (Zc 6,1-8), percebe-se um paralelismo – que se costuma tratar de moldura – em relação à primeira visão. Observem-se os carros e os cavalos, as cores, o tema de se percorrer a terra. Instigante seria analisar o “repouso” do Espírito (v. 8) com o “descanso” de ‘Elohim em Gn 2,3 – parece que se quer dizer: missão cumprida.

 

 

Conclusão

 

 

A proposta do presente artigo – bastante simplificado e naturalmente dispensado de aprofundamentos técnico-exegéticos – é a afirmação de que as oito visões de Zacarias não constituem um fenômeno de visão extática, nem deveriam ser consideradas apocalípticas. Antes, tratar-se-ia de uma composição programada, estudada e organizada de forma a dar um sentido teológico e apresentar uma apologia para o programa político-religioso da golah no projeto de reconstrução de Judá, de Jerusalém e do Templo.

 

 

Sinteticamente, o quadro seria o seguinte

 

Visão

Centro Teológico

Primeira (Zc 1,7-17)

O templo de Jerusalém deve ser reconstruído, para que Yahweh retorne a Jerusalém;

Segunda (Zc 1,18-21)

Yahweh é quem determina que os harashim reconstruam o Templo;

Terceira (Zc 2,1-13)

A golah deve repovoar Jerusalém, para que Yahweh esteja ;

Quarta (Zc 3,1-10)

O sumo sacerdote, a despeito de todo conflito social, é o escolhido de Yahweh para o governo da Nova Jerusalém;

Quinta (Zc 4,1-14)

Com reservas histórico-traditivas, diante de Yahweh governarão dois ungidos: provavelmente o príncipe e o sumo sacerdote;

Sexta (Zc 5,1-4)

A Lei é o centro político-religioso do novo regime, e em torno dela se construirão as relações entre Yahweh e o povo;

 

Sétima (Zc 5,5-11)

A terra deve ser expurgada de toda polilatria, especificamente do culto à deusa Asherah, com cujo movimento igualmente se expurga a liderança feminina profética;

Oitava (Zc 6,1-8)

A missão está cumprida. A vontade de Yahweh está feita. Seu Espírito repousa.

 

 

Duas observações podem ser feitas. A primeira, de caráter teórico-metodológica, consiste em acentuar o fato de que os textos bíblicos devem ser lidos, segundo julgo, não como fins em si mesmos, mas como meio. Através dos textos, pode-se tentar uma reconstrução do contexto histórico-social no qual o próprio texto é gerado e, a partir daí, intuir o sentido original e intencional desse texto. Nesse caso, leitura da Bíblia (exegese) e História são grandezas inseparáveis. Quer dizer, isso caso não estejamos interessados no programa de Justino (Mártir), para quem importa antes alegorizar o Antigo Testamento, a fim de fazê-lo ter algo a dizer aos cristãos (cf. JUSTINO, 1995, p.51-57 e p. 109ss).

 

Em segundo lugar, uma observação histórico-teológica: diante de Zc 1,7-6,8, estamos diante de quê? Sempre a partir de uma perspectiva pessoal, julgo (como leitor da Bíblia e crente em Deus) adequado tomar-se esse texto como Palavra de Deus. Julgo, contudo, um equívoco, considerar que enquanto Palavra de Deus deixe de refletir a perspectiva do autor humano do texto. Assim, enquanto Palavra de Deus, interessa-me considerar o que de positivo e de negativo tenho diante de mim na proposta do texto: o que deveria fazer conforme está no texto, e o que deveria deixar de fazer, também conforme está no texto. Uma vez que o autor humano tem participação nesse texto, sua proposta não é necessariamente positiva – e diante de uma proposta textual que inequivocamente gere a morte, antes que a vida, o leitor desse texto deveria tomá-lo como uma proposta negativa, um exemplo do ponto onde se pode chegar na manipulação dos conceitos sobre Deus.

 

Então caberia a análise no sentido de perguntar se os acontecimentos históricos que se poderiam reconstituir a partir de uma leitura como a que fizemos das oito visões de Zacarias corresponderiam ao que poderíamos considerar “vontade de Deus” – ou se o texto foi assim preservado para exercício de nossa capacidade de discernimento.

 

O leitor o julgue, como o julgo, de minha parte, eu mesmo.

 

 

Referências Bibliográficas

A BÍBLIA SAGRADA. VELHO TESTAMENTO E NOVO TESTAMENTO. Versão revisada da tradução de João Ferreira de Almeida de acordo com os melhores textos em hebraico e grego. 8 impressão. Rio de Janeiro: IBB, 1992.

 

CORSINI, Eugênio. O Apocalipse de São João. São Paulo: Paulinas, 1984. p. 398.

 

GESE, Hartmut. Início e Fim do Apocalipsismo, à Base do Livro de Zacarias. Em: Apocalipsismo. São Leopoldo: Sinodal, 1983. p. 190-218.

 

JUSTINO DE ROMA. I e II Apologias; Diálogo com Trifão. São Paulo: Paulus, 1995. 324 p.



[1] Todas as referências bíblicas serão extraídas de Almeida: Melhores Textos.

 

[2] Por exemplo, como aquela que, nas Bíblias mesmo evangélicas e mais recentes (como a Almeida: Melhores Textos, por exemplo), é indicada para Lc 24,12, informando que o verso não se encontra nos manuscritos gregos mais antigos ou considerados “melhores”. Quer dizer, pode ter sido acrescentado depois da redação de Lucas.

 

[3] Da forma como penso, há uma primeira narrativa do dilúvio, escrita nesse mesmo período a que Zacarias se refere em suas oito visões, e que se pode chamar de narrativa sacerdotal do dilúvio. A segunda tem-se afirmado ser anterior a essa: seria uma narrativa javista e pertencer à época de Salomão; quanto a minha opinião, considero que essa narrativa javista seja posterior à sacerdotal, provavelmente do século V a.C., e que tenho chamado de narrativa pós-sacerdotal do dilúvio.

 

[4] Uma breve pesquisa na Internet pelo termo “lilith” permitirá que o leitor observe uma imagem dessa figura feminina alada. Lilith está representada em achados arqueológicos da região mesopotâmica.