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Por
que se escondeu esse menino?
–
a Teologia de Tillich à luz da Semiótica de Peirce
Osvaldo
Luiz Ribeiro
(02/04/2008)
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Artigo publicado na
revista eletrônica Correlatio, n. 13, junho de 2008,
disponível
aqui.: |
O
ensaio postula a insuficiência epistemológico-semiótica da fórmula de
Tillich – “‘Deus’ é símbolo para Deus”. Lendo-se-lhe a partir
da semiótica triádica de Peirce, falta-lhe o elemento correspondente à terceiridade – o “eu” fundante-interpretante. Inquire-se,
propondo-se uma resposta por meio de Marx e Freud, a razão do ocultamento,
aí, do “eu” fideísta-voluntarista, do “eu” crente. Propõe-se
assumir-se, na e para a Teologia, os pressupostos da epistemologia
emancipada das Ciências Humanas.
Tillich,
falando de “Deus”, fé, símbolo e Deus
Confesso,
sem rubor, que ter lido Dinâmica da Fé
foi libertador, foi transformador. Quando ouvi um teólogo dizer-me que
“‘Deus’ é símbolo para Deus”,
que o discurso que “eu” uso para Deus não
é o próprio Deus, terminou o inverno da minha teologia, e as flores
desabrocharam. É verdade, também, contudo, que um pequeno diabo dançou
e passou a dançar sobre a minha cabeça, e, desde então, ensaia novos
passos. Ele repousava ali, e o folhear das páginas despertou-o, e, como a
pena de Forrest Gump, achou de pousar sobre mim.
Depois
da leitura de Eliade, especificamente de Tratado
de História das Religiões,
Dinâmica da Fé foi-me a
leitura mais emancipadora. A teologia que eventualmente eu criticava, não
era Deus – e, logo, podia ser, “impiedosamente”, analisada,
investigada, posta sob suspeita – ah, e como me foi bom fazê-lo.
Bendito diabo, aquele – passarinho.
Descobri,
lendo aquele livrinho, que um bom ortodoxo, um bom conservador, um bom
tradicionalista, um bom evangélico, evangelical, fundamentalista, dê-se-lhe
o nome que se quiser dar, um bom protestante, enfim, estava, sempre, a um
passo da “idolatria” – “uma fé que entende seus símbolos
literalmente é idolatria”.
Oh, sim, enquanto “católicos”, conforme a acusação evangélica,
coziam “ídolos” de barro, esculpiam-nos em madeira, formatavam-nos em
gesso, nós, os evangélico-protestantes, cultivávamos nossos ídolos de
pensamento, nossos pequenos/grandes ídolos de imaginação e espírito.
Uma idolatria sutil, anímica, noológica – mas idolatria. O vento que
venta lá venta cá.
Iconoclasta,
eu, quebrei meu pequeno deus de pensamento, e segui meu caminho,
consciente, graças a Tillich, de que minhas idéias eram, somente,
tijolos simbólicos. Deus, mesmo, ah, esse estava lá, bem lá longe,
longe o suficiente para permanecer intocado, mas perto o suficiente para
constituir-se ainda uma, hum, certeza. Convicção já esboçada na
garantia proposicional da fórmula: Deus,
enquanto real, metafísico, ontológico, dele só se pode falar por meio
de símbolos, de modo que “‘Deus’ é símbolo para Deus”. Lá está ele seria uma forma simbólica de apontá-Lo, mas, de
fato, Ele está lá.
No
fundo, não me interessava tanto a afirmação de que “Ele está lá”,
mas a afirmação de que meu discurso não o podia conter, nem o continha,
senão simbolicamente. Essa constatação, a inexorável condição simbólica
do discurso “teológico”, autorizava-se o uso do martelo, ao mesmo
tempo em que me perguntava se, de fato, não fora isso o que teriam feito
meus queridos companheiros do século XIX – e pelas mesmas razões.
Peirce,
falando de semiótica triádica
Mas
aquele diabo, contudo, é travesso – e traiçoeiro. Alguns anos antes de
Tillich ter chegado aos Estados Unidos, um filósofo, matemático, químico,
estadonidense, Charles Sanders Peirce, empreendera investigações a
respeito dos fenômenos sígnicos – em última análise, sobre o
conhecimento humano. Assentara que o conhecimento humano é, sempre, fenomênico,
e baseia-se numa relação triádica indissociável entre os elementos
constitutivos da semiótica (essa, dita peirceana): a primeiridade, ou
seja, a coisa em si, as grandezas do mundo físico, material, tais quais são
independentemente da consciência humana. A secundidade, ou aquelas
mesmas grandezas, mas, agora, tomadas pela consciência humana, consciência
semiótica – hermenêutica. E, finalmente, a própria consciência semiótica,
hermenêutica, humana, a terceiridade. Assim, a semiótica torna-se possível,
primeiro, porque existem as coisas reais, fora de mim, segundo porque eu
sou uma máquina de apreender o real mediante os fenômenos interativos
entre ele e mim, e, finalmente, porque, máquina de apreender o real por
meio dos fenômenos interativos, eu construo representações hermenêuticas
acerca dos fenômenos.
Ao
deparar-me com a semiótica peirceana, imediatamente percebi, após uma
conversa a respeito de Fenomenologia da Religião com minha amiga Maria
Celeste, colega professora do Seminário Teológico Batista o Sul do
Brasil, agora Faculdade Batista do Rio de Janeiro, que a afirmação de
Tillich – “‘Deus’ é símbolo para Deus” – manifestava,
apenas, dois termos. Faltava um. Deixei que o próprio Tillich explicasse
sua declaração:
Isso
significa que precisamos distinguir dois elementos em nossa concepção de
Deus: uma vez o elemento incondicional, que se nos manifesta na experiência
imediata, e em si não é simbólico, e por outro lado o elemento
concreto, que é obtido de nossa experiência normal e é simbolicamente
relacionado com Deus.
Observe-se
a confissão de Tillich: “precisamos distinguir dois elementos”. Dois.
Dois? Mas não deveriam ser três? Segundo a semiótica peirceana, são três.
Se Peirce for aplicado à fórmula de Tillich, o que terá sido deixado de
fora? Bem a seu tempo e modo – e de um modo que logo há de mostrar-se
absurdo – o primeiro elemento que Tillich descreve, digamos, Deus na
condição de Deus, tal qual ele é – e isso independentemente de mim
–, constituiria, agora em termos peirceanos, a primeiridade
(na fórmula, corresponde ao segundo termo, sem as aspas, porque, na
explicação, Tillich inverte a ordem dos termos). O segundo termo
explicado por Tillich, mas o primeiro da fórmula,
grafado com aspas, constituiria a secundidade,
ou seja, Deus, conforme apreendido em meu
discurso. O que faltou? A terceiridade
– “eu”. Sim, de fato, na fórmula está o símbolo e está o
simbolizado, mas sumiu, desapareceu – escondeu-se? – o simbolizador.
Mas
alto lá, mais devagar com o andor, por favor. Retorne-se à citação de
Tillich, imediatamente acima. O que querem dizer as expressões “em
nossa concepção (de Deus)” e “obtido de nossa experiência
(normal)”? Esse “nós”, pressuposto em “nossa”, não
corresponde, rigorosamente, à terceiridade
peirceana? Se sim, porque ele está ausente da fórmula clássica
“‘Deus’ é símbolo para Deus”?
Um
agravante. Páginas antes de redigida a fórmula, Tillich escrevera que
“a distorção mais freqüente da fé consiste em considerá-la como um
conhecimento”.
Daí, estou autorizado – por Tillich – a deduzir que ele, Tillich,
sabe que fé não é conhecimento. A fé não sabe, conquanto os fiéis
digam saber (conquanto outrem lhes digam que aquilo em que de fato crêem,
sabem!). A rigor, o crente deve “saber” (Ciências Humanas,
Romantismo, Ceticismo) que ele não “sabe” se Deus existe ou não.
Ele deveria saber que “acredita” – aceita a hipótese – da existência
de Deus. Com isso, primeiro, a fé tornar-se-ia o que é, um risco, uma
imaginação, e segundo, sequer o segundo termo da fórmula de Tillich,
que ele explica nos termos de uma primeiridade
peirceana que “toca” homens e mulheres, constituir-se-ia, a rigor,
pela modalidade dessa primeiridade.
Um “eu” fideísta voluntarista cria a imagem de “Deus”, e, agora,
trata simbolicamente essa mesma idéia, cindindo, ele mesmo, sua imaginação
e seu discurso sobre sua imaginação. Com essa cisão, ele acredita
lograr êxito em deixar – como “real” (metafísico-ontológico) –
“Deus” intocado, aceitando como simbólica a sua idéia de Deus.
Percebe-se o movimento? Conscientemente ou não, Tillich inverte a denúncia
de Feuerbach – denúncia definitiva, insuperável, de que Deus constitui
uma projeção hermenêutica humana.
Uma patologia, dirão Marx e Freud, e já chego aí. Tillich reconhece a
projeção – mas apenas no símbolo, apenas no discurso, e, desde dentro
da projeção, desde dentro do símbolo, recolhe Deus e o reconduz ao
Olimpo ontológico, como se fosse um dado,
uma informação, um conhecimento, a sua existência. Mas não, não é: “não posso
saber se Deus é algo diferente em si e por si do que ele é para mim”.
Nem tão pouco sua inexistência, é verdade. Estão ambas interditadas. E
o “discurso simbólico” – fideísta voluntarista, humano, não as
desinterdita. Salvo no auto-engano. E já vimos, contudo, que Tillich sabe
que fé não é, absolutamente,
conhecimento.
Mas
um detalhe – um gigantesco, colossal detalhe – martela-me a cabeça:
se Tillich sabe que tudo se baseia, enfim, em “nossa concepção”,
“nossa experiência”, porque ele escondeu o “eu” crente da fórmula?
A rigor, os elementos da fórmula deveriam ser: a) um eu que crê de uma determinada forma em uma determinada grandeza
metafísica, b) (essa) uma determinada grandeza metafísica, conforme
crida por esse eu e, c) o discurso simbólico desse eu a respeito
daquela grandeza metafísica, conforme
crida por esse eu. Mas Tillich escondeu toda a parte que redigi em itálico,
e produziu uma fórmula epistemologicamente capenga, sem uma perna, sem o
verdadeiro fundamento – “eu”. Por quê? Porque tem-se que esconder o
“eu” – fundamento dessa fé e desse símbolo? Por que Tillich não
reconhece, absolutamente, sem rodeios, que se trata, afinal, de
racionalização da fé, da tentativa de mantê-la “útil”,
“funcional” – não é a mesma coisa que faz um Vattimo, afinal, com
uma proposta de teologia como metáfora?, afinal, os discursos são muito úteis, funcionais,
porque, afinal, o status quo não
foi montado pela realidade ontológica dos objetos da fé, mas pela
funcionalidade política desses discursos, tenham eles a densidade
epistemológica que tiverem – em termos peirceanos, praticamente
nenhuma. Ah, sim, no fundo, arrisco o juízo, que se não arriscamos juízos,
para que escrevemos?: há um projeto de manutenção do status
quo, a mesma missa, os mesmos cultos, os mesmos padres, os mesmos
pastores, os mesmos prédios, por favor, não estraguem a brincadeira,
senhores, pode-se-lhes ler nos olhos suplicantes.
Mas
a que preço? O de arrancarmos os nossos olhos da cara?, os nossos
ouvidos das orelhas? Não. Um teólogo, hoje, deve olhar no espelho, e
respirar fundo, desnudar-se, completamente, e, nu, perguntar-se,
corajosamente: “_Tu, eu, levas, mesmo, realmente sério as coisas que
dizes? Tu não ouviste, mesmo, as coisas que disseram os diabos todos do
Romantismo, um Kant, um Schopenhauer, um Feuerbach, um Nietzsche, e,
agora, um Peirce? Tu tens medo de que, eu? De acordar de manhã com jogos
de palavras nas mãos? Mas tu não sabes, eu, que desde aqueles dias, é
com isso que dormimos, e é, eu, com isso que acordamos, todos os longos
dias dessa trágica espera?”. Do teólogo que não faz isso, observo-o,
e penso em como, em quanto lhe dói ter que sair da Idade Média, e, por
isso, ele não sai.
Nietzsche
falara de arrastar-se o corpo morto de Deus ainda por muitos, muitos anos.
Quando abro, agora, a página trinta e três da Dinâmica
da Fé, sinto um cheiro próprio de morgue, e, à direita da porta, lê-se:
que fazer, se é tudo que nos resta,
Osvaldo?
Marx
e Freud, rindo-se de nós
Outro
dia, na Universidade Federal Fluminense, num encontro de alunos de Ciências
Sociais, lá estava, dentre outros representantes de abordagens ao fenômeno
religioso, eu, para uma mesa redonda.
Ao final, dei carona à colega representante da abordagem sociológica.
Dizia-se weberiana. Perguntei-lhe porque, sendo ela uma cientista social,
sabendo ela o que as Ciências Humanas, todas, falam – e devem falar –
acerca dos fenômenos religiosos – também das experiências religiosas
–, porque cargas d’água, essa/e mesma/o cientista trabalha sobre a prática
alienada de sujeitos religiosos? Por que essa/e cientista não esclarece
– humanístico-cientificamente – a condição alienada desse sujeito?
Ora, esse sujeito não “sabe” – em termos da epistemologia moderna,
a das Ciências Humanas, ferramenta, não?, de desalienação do sujeito
histórico moderno – o que lhe acontece, seja em termos psicológicos,
noológicos, antropológicos, sociológicos, políticos, cognitivos etc.,
e apenas se entrega à experiência, ao rito, à doutrina. Ora, mas a/o
cientista sabe! Estudou. E sabe. Mas, para aproximar-se de sua
“cobaia”, deve mantê-la, assim, vivendo no
mito, sem consciência do mito.
A
resposta que ouvi foi curiosa: se esse sujeito, se esse homem, se essa
mulher, forem, hum, esclarecidos, a sua experiência religiosa se
dissolve.
Imediatamente,
comentei: uma posição marcadamente marxista. Não, não foi uma acusação,
que penso haver muitos pontos de validade, inúmeros e profundos, na
filosofia de Marx. Mas referia-me ao fato de Marx ter dito que a religião
é o ópio do povo,
o case de alienação, por excelência.
E minha interlocutora weberiana assinava em baixo: sim, sim, não conte a
eles o que se passa, porque, se contar, a magia acaba, a religião
dissolve-se, porque tudo o que é sólido desmancha-se, assim, no ar... Lá
no céu, Marx, dir-se-ia, gritava para Freud: ei, Freud, mais um ponto pra
mim, anota aí!
Ao
que, imediatamente, nenhum dos dois quer perder a disputa de quem estava
mais certo a respeito do mesmo fenômeno, Freud responderia: está bem,
Marx, já anotei aqui, mas anota aí que Tillich escondeu o sujeito fideísta
voluntarista teísta em sua fórmula, justo ele, que sabe que fé não é
conhecimento, e que sabe que a idéia de Deus nasce da “nossa experiência”.
Marx, um tanto confuso, e desagradado de ter que, eventualmente dar mais
um ponto para Freud, questiona: sim, mas, o que isso tem a ver com você,
meu amigo? Ora, Marx, você não concordaria comigo de que se trata de um
caso típico – clínico – de neurose e recalque? Se Tillich tivesse
lido Rogers, e tivesse aprendido que os fatos são nossos amigos,
talvez ele admitisse, de vez, que é um homem vivendo em uma cultura pós-medieval,
onde não cabe mais a teologia que ele tenta manter viva. Mas, não leu.
Confessar-se criador de um mundo é pesado demais. E recalca-se. Não sou
eu quem funda Deus – é ele meu fundamento. Que pelo menos não se
castre, o pobre.
Eu,
refletindo com meus botões (mentira!)
Se
Locke, Bacon, Hume, não tivessem nascido, dito o que disseram, e criado
um mundo. Se Voltaire não tivesse feito o que fez. Se a França, desgraçada
França, não tivesse marcado a ferro e fogo o ano de 1789. Se Napoleão não
tivesse invadido a Europa, e, a isso, reagido uma Alemanha, parindo o
Romantismo. Se, caída sobre a terra fértil duma Europa em emancipação
epistemológica a placenta romântica, não tivesse brotado o tropel dos
Cavaleiros do Apocalipse, diabos do século XIX (meus anjos de jogo). Então
eu poderia abraçar Tillich e sua teologia, Barth, e sua teologia,
Bultmann, e sua teologia, Moltmann, e sua teologia. Mas – ó, Deus –
tudo aquilo aconteceu. Somos nós, sou eu, um louco marcado por aqueles
eventos, filho desse tempo – quiçá do que vem. Não há como brincar
de teologia, como brincava antes. Brincar, ainda, de teologia, posto que
tudo que marca o humano é lúdico e folguedo, mesmo as coisas mais sérias
que o tocam, mas brincar de um jeito novo, com novas regras, novo
tabuleiro, novas peças. Mesmo nós, marcados, se marcados fomos, se
marcados somos, pelo nosso tempo – esse tempo! –, novos jogadores.
Contra
Freud, mas com ele, por que recalcar o óbvio? Ou o óbvio me aparece,
aqui, como ilusão? Ou, de fato, Deus é dado, e apenas eu considero que
afirmá-lo é o embuste da teologia moderna? Pode um teólogo moderno,
comparecer em público, e nomeá-lo? Sem envergonhar-se? E o recalque, não
guarda, desde a próstata, patologias indisfarçáveis?
Contra
Marx, mas com ele, passar, fazer passar, a religião pelo crivo das Ciências
Humanas, e os sujeitos religiosos, pelo crivo da desalienação humanístico-científica.
Ah, não, a religião, ao contrário do que pensara Marx, não desaparecerá.
Transformar-se-á. Vestirá novas roupas, novos mitos, novos ritos –
absolutamente de outra ordem. Um mago, Morin, Edgar Morin, anda a prever
uma tal revolução. Mas talvez seja apenas a idade, ocasião em que se
troca o revolucionário pelo visionário, porque o visionário é um
revolucionário tímido – ou velho. Não se vê Patmos?
Contra
Tillich, mas com ele, reconhecer que Deus, a idéia de Deus, a idéia que
inventamos e na qual cremos, sobre Deus, jaz esculpida em nossas
plaquetas, e que, a cada expiração, a cada inspiração, ela (Ele?)
entra e sai de nossos corpos, vai, e volta, mas que não podemos
transformar isso, essa crença, essa percepção profunda/rasa,
objetiva/subjetiva, em conhecimento, em dado, a
respeito dEle – como? – senão a respeito dela. Ela é o que se
mostra, e fazê-la outra coisa é crise de lesa consciência, um crime
epistemológico.
Contra
nós, e conosco, avançar sobre nós mesmos, para a construção do
futuro. Nosso futuro. Futuro duma teologia finalmente emancipada. De si.
De nós. De Deus.
Paul TILLICH, Dinâmica da Fé.
4 ed. São Leopoldo: Sinodal, s/d.
Paul TILLICH, Dinâmica da Fé.
4 ed. São Leopoldo: Sinodal, s/d. p. 33.
Mircea ELIADE, Tratado de História
das Religiões. Lisboa: Relógio d’Água, 1989. Essas leituras
todas eu as empreendi em minha primeira fase de Mestrado em Teologia,
no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil. Como me graduara no
Campus de Nova Iguaçu, e ali não houvera especialização em
exegese, investi numa especialização teológico-filosófica, e
acabei decidindo-me a investigar a possibilidade do discurso sobre
Deus – minha hipótese era negativa, desde Feuerbach, e ainda o é,
mais ainda, agora. Por conta disso, li Tillich, Eliade, Nietzsche,
Feuerbach, Freud, Marx, Schopenhauer. Meu orientador era o Prof. Darci
Dusilek, falecido ano passado. O Mestrado foi reestruturado, recebemos
novos professores – entre eles o Dr. Haroldo Reimer – e eu migrei,
feliz, para Antigo Testamento. Ficaram fortíssimas impressões.
Paul TILLICH, Dinâmica da Fé.
4 ed. São Leopoldo: Sinodal, s/d. p. 37.
Cf. Charles Sanders PEIRCE, Semiótica.
São Paulo: Perspectiva, 2003. Cf., ainda, meu ensaio, Deus, símbolo para Deus, e o terceiro termo escondido, disponível
em minha página de trabalho: http://www.ouviroevento.pro.br/teologicofilosoficos/deus_simbolo_para_deus.htm.
A semiótica de Peirce pode ser, e tem disso, direcionada para e por
diversas perspectivas – comunicação, lingüística, filosofia.
Aqui, manejo-a sob e pelo recorte da fenomenologia.
Paul TILLICH, Dinâmica da Fé.
4 ed. São Leopoldo: Sinodal, s/d. p. 33-34.
Paul TILLICH, Dinâmica da Fé.
4 ed. São Leopoldo: Sinodal, s/d. p. 24.
“Não nos deixemos extraviar ; os grandes espíritos são cépticos”
– NIETZSCHE, O Anticristo. Ensaio
de uma crítica do Cristianismo.
Lisboa: Guimarães, 1988. p. 108.
Cf. Ludwig FEUERBACH, A Essência
do Cristianismo. Campinas: Papirus, 1988. É impressionante que
Feuerbach já tenha dado veredicto a respeito da “explicação”
(binária!) de Tillich, meio século antes de Tillich a tê-la
defendido – o que é admirável, para Feuerbach, e lamentável, para
Tillich. Observe-se: “existe, porém, uma outra forma mais suave de
negação dos predicados divinos (...). Acredita-se que os predicados
da essência divina são qualidades finitas, especialmente humanas;
mas condena-se a condenação; chega-se até a protegê-las, porque é
necessário para o homem tecer algumas imagens determinadas de Deus e
uma vez que ele é homem, não pode fazer nenhuma outra imagem a não
ser humana (...). Mas essa distinção entre o que Deus é em
si o que ele é para mim destrói a paz da religião e é, além
disso, em si mesma, uma distinção sem fundamento. Não posso saber
se Deus é algo diferente em si e por si do que ele é para mim” (p.
58-59).
Ludwig FEUERBACH, A Essência do
Cristianismo. Campinas:
Papirus, 1988. p. 59.
XXII Encontro Nacional de Estudantes de Ciências Sociais - ENECS,
no Campus Gragoatá da UFF, Bloco C, Sala Ismael Coutinho, em 02 de
agosto de 2007, às 10 horas, através da Mesa "Ciência e Poder
- para que servem as Ciências Sociais”.
A aposta num solipsismo essencial, que redundaria na impossibilidade
de lançarem-se hipóteses de trabalho sobre a experiência subjetiva
de terceiros, inviabilizaria, por exemplo, a distinção jurídica
entre dolo e culpa, dado que a
distinção é subjetiva, tratada no âmbito da teleologia pessoal,
mas, dado que o Direito (por exemplo, o brasileiro) procede por essa
via, está dada, tacitamente, a pressuposição do acesso metodológico
ao campo das experiências subjetivas de terceiros.
"La religion est le soupir de la créature opprimée, l'âme d'un
monde sans coeur, comme elle est l'esprit de conditions sociales d'où
l'esprit est exclu. Elle est l'opium du peuple", Karl
MARX, Critique de la philosophie du droit de Hegel - Introduction, em
Karl MARX e Friedrich ENGELS, Sur la Religion. Textes choisis.
Traduits et annotés por G. Badia, P. Bange et E. Bottigelli. Paris:
Éditions Sociales, 1960. p. 42, grifo meu, exceto o de opium,
da edição).
A rigor, “os fatos são amigos”, Carl ROGERS, Tornar-se
Pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 2001. p. 29.
© Osvaldo Luiz Ribeiro
–
autorizado uso pessoal, desde que com citação da fonte e sem alterações
no texto –
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