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Jz
11,30-40
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porque nem só peixes morrem pela boca
mas
os peixes, ao menos, pela própria
Osvaldo
Luiz Ribeiro
05/09/2008
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“Uma
pessoa dedicada ao extermínio não pode ser resgatada. Deve ser
executada”
(Lv
27,29 – segundo Alonso-Schökel, Bíblia
do Peregrino)
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Jz
11,30-40
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30E
votou Jefté um voto a Yahweh. E disse: se der tu deres
os filhos de Amon nas minhas mãos, 31então
será que o saidor que sair da porta da minha casa, para
encontrar-me, em voltando eu em paz dos filhos de Amon,
então será de Yahweh – e o levantarei em holocausto.
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32E
passou Jefté aos filhos de Amon, para lutar contra
eles. E entregou-os Yahweh em sua mão. 33E
os feriu, de Aroer até o teu passar de Minnit, vinte
cidades, e até Abel Keramim, uma muito grande derrota.
Assim, foram subjugados os filhos de Amon pelos filhos
de Israel.
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34E
foi Jefté para Mizppah, sua casa. E, eis, a filha dele
saiu para encontrá-lo, com tamborins e com danças. Mas
só que ela era única. Ele não tinha mais nenhum filho
nem filha. 35E aconteceu que, quando a viu,
rasgou as suas vestes, e disse: ah, minha filha,
prostrar tu me prostraste, e tu mesma te tornaste a que
me arruína, pois abri a minha boca para Yahweh, e não
posso voltar.
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36E
(ela) disse para ele: meu pai, tu abriste a tua boca
para Yahweh. Faz de mim conforme o que saiu da tua boca,
depois do que fez para ti Yahweh, vinganças contra os
teus inimigos, os filhos de Amon. 37E (ela)
disse ao seu pai: faça-se para mim esta coisa –
permite para mim dois meses, que eu vá, e desça sobre
o montes, e eu chore pela minha virgindade, eu e minhas
companheiras.
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38E
(ele) disse: vai, e deixou-a ir por dois meses. E (ela)
foi – ela e as companheiras dela –, e chorou por sua
virgindade sobre os montes. 39E foi que, no
fim dos dois meses, ela voltou para seu pai. Então
(ele) fez com ela o seu voto, que votara. E ela não
conheceu homem.
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39E tornou-se
estatuto em Israel: 40de dias em dias, iam as
filhas de Israel celebrar a filha de Jefté, o gileadita,
por quatro dias no ano.
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laeêr"f.yI tAnæB. ‘hn"k.l;’Te hm'ymiªy"
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t[;B;îr>a;
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Breve
comentário
Fui
levado a essa passagem pela insistência de uma pessoa que não
conheço pessoalmente, e que me encaminhou alguns e-mails,
pedindo-me a tradução e a (minha) interpretação da passagem.
Eram dias de meu doutorado. Ontem, recebi o e-mail abaixo:
Boa
Tarde!!
Osvaldo,
há muito tempo que eu solicitei a exegese de Juízes cap.
11.30-40 e você no entanto me disse para eu aguardar e te
contatar depois que a faria, portanto em razão do tempo
decorrido volto a solicitar-lhe que me ajude encarecidamente,
pois bem profetizou Amós: “...vêm os dias, Diz o SENHOR
DEUS, em que enviarei fome...de ouvir as palavras do
SENHOR”,
e esta é a minha situação no presente instante, como o
cervo do SALMO 42.1, e diga-se de passagem que foi
magistral a sua exposição do texto no livro O QUE É FÉ?,
que suspirava, parece que esta palavra “onomatopéica” me
faz ouvi-lo em seu desejo desesperado por águas (Jr 2.13,
14.3 e Sl 63.1), no que faço coro com ele, já que esta
solicitação só foi encaminhada para dois exegetas e dos
dois (um destes és tu!!) nenhum me ajudou, mas não sem
esperança novamente, peço que sejas o Felipe que subirá
ao carro comigo e se sentará para me fazer entender as
verdades sem premissas deste texto, levando me se possível a
descobrir a intencionalidade autoral e o verdadeiro sentido,
sem ideologias, crença denominacional e pressupostos da
teologia liberal, podes me ajudar nisto?????????
Att.
TIAGO ROHEM DA SILVA
ASSEMBLÉIA
DE DEUS
LAJE
DO MURIAÉ - RJ
Bem,
não estou à altura de traduzir e interpretar segundo a
“Verdade” – mas, apenas, segundo minha capacidade e posição
histórico-social. Contudo, como recusar um pedido desses,
escrito assim?
Então, vamos lá.
1.
A “história”
Trata-se,
a meu ver, de uma “etiologia”. Etiologia é uma narrativa,
eventualmente imaginária, para a explicação de costumes,
monumentos, formações naturais, cuja origem história
encontra-se na noite dos tempos, mas para os quais os vivos
demandam “explicações”.
O
“motivo” da etiologia parece ser uma prática de mulheres
– uma celebração (v. 40). Fala-se de mulheres que celebram a
filha de Jefté, quatro dias no ano, pelos montes. É dessa prática
cultural de mulheres que a etiologia pretende dar a origem.
2. A “origem”
Diz-se
que, há muito tempo atrás, Jefté teria feito um voto a Yahweh
(v. 30-31). Esse voto é uma negociação, um acordo – você
faz isso, eu faço aquilo. A narrativa, então, diz que Yahweh
fez a sua parte (v. 32-33). Jefté, então, fará a dele. Jefté
volta para casa, e cumpre seu voto (v. 34-39). O voto implica o
“holocausto” de sua filha, de modo que ela, ainda que
compreensivamente, entregue-se nas mãos do voto de seu pai,
pede-lhe, contudo, que lhe conceda um “último pedido” –
passear pelos montes e vales, chorando sua virgindade (v.
36-37). É-lhe concedido. Ela vai, ela e suas amigas –
insiste-se nisso: “E (ela) foi – ela e as companheiras
dela”. Essa insistência deve-se ao fato de que a história
tem sua razão de ser na etiologia, e, na etiologia, são as
“mulheres” – na condição de “companheiras da filha de
Jefté”, quem estão presentes.
O
tempo acaba. Ela volta. Jefté cumpre seu voto (v. 38-39).
3. O “voto”
Em
que consistia o voto de Jefté?
Hipótese
um – um voto de virgindade perpétua. Justificar-se-ia essa
hipótese por causa da insistência na virgindade da filha de
Jefté (cf. v. 26, 37 e 38). A “tragédia”, então, seria
essa – de sua filha morrer virgem. Com isso, tanto ela, quanto
o próprio Jefté, teriam levado ao esquecimento a sua memória
sobre a terra – porque nem ele tinha mais filhos (v. 34), nem
ela conhecera homem (v. 39).
Hipótese
dois – um voto de sacrifício humano, “holocausto”.
Justificar-se-ia essa hipótese pelo fato de que, quando Jefté
faz o voto, não se menciona “virgindade”, mas
“holocausto”. O termo hebraico – `ôlâ (v.
32) – não é outro senão aquele com se designa o mais
importante sacrifício ritual do altar do Templo de Jerusalém.
Sacrifício cruento.
Como
decidir? Uma questão me parece, se não definitiva, certamente,
contudo, obrigatória – é da própria dinâmica da narrativa
que a resposta tem de nascer. Nesse caso, um elemento retórico
é incontornável. Quando Jefté faz o voto, ele está pensando
“em sua casa”. O primeiro que sair de lá, é esse que será
“sacrificado”. Pois bem – se o voto é para “virgindade
perpétua”, isso significa que todos os habitantes da casa –
não apenas a filha, mas a filha e os empregados, eventualmente,
familiares colaterais (se não se pressupuser a existência de
outras pessoas na “casa”, o choro de Jefté não se explica,
porque, nesse caso, seja para virgindade, seja para morte, ele já
sabia que ela seria a única que poderia sair de lá, já que
era a única que estaria lá) – deveriam ser necessariamente
virgens, porque, caso contrário, ele deveria dizer que
sacrificaria à virgindade perpétua não o primeiro que lhe saísse
ao encontro, mas o primeiro que, lhe saindo ao encontro, fosse,
ao mesmo tempo, virgem, porque, se não fosse virgem, ainda que
lhe saísse ao encontro, como poderia ser dedicado à virgindade
perpétua?
Assim,
compreendo que a explicação do “voto” como voto de
virgindade não se encaixa na dinâmica interna da narrativa. O
voto tem de contemplar uma condição a que qualquer um que lhe
viesse ao encontro, independentemente de Jefté saber quem, se
encontraria vinculado. Essa condição, por outro lado, deve
estar relacionada ao tema do “sacrifício”. E deve, ainda,
ser suficientemente grave para que Jefté se desespere – ele e
sua bocarra. Pois bem, parece-me que essa condição deve ser a
própria “vida”. Qualquer um que saísse da casa, fosse
virgem, não fosse, estaria, certamente, vivo. E o voto, então,
seria esse – o da imolação dessa pessoa, em holocausto a
Yahweh.
© Osvaldo Luiz Ribeiro
–
autorizado uso pessoal, desde que com citação da fonte e sem alterações
no texto –
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