Sl 144,1-10.11-15
´ädäm vai
à guerra
yrIªWc hw"“hy> %WrÜB'«
1a
Bendito (seja) Yahweh, rocha minha,
br"_q.l; yd:äy" dMeäl;m.h;(
1b
aquele que treina as mãos minhas para a batalha,
`hm'(x'l.Mil; yt;ªA[B.c.a,÷
1c
os dedos meus, para a guerra.
éytid"Wcm.W yDIîs.x;
2a
Fidelidade minha e fortaleza minha,
yjiñl.p;m.W¥ yBiçG:f.mi
2b
refúgio meu e libertador meu,
ytiysi_x' AbåW yNIgIm'â yliî
2c
para mim (é) meu escudo, e nele me refugio.
`yT'(x.t; yMiä[; ddEÞArh'
2d
o que sujeita o meu povo debaixo de mim.
Wh[e_d"Tew: ~d"a'â-hm' hw"©hy>)
3a
Yahweh, que é ´ädäm?
Mas tu cuidas dele.
`Whbe(V.x;T.w:) vAn©a/÷-!B,
3b
O filho de ´énôš?
Mas tu o estimas.
hm'_D" lb,h,äl; ~d"a'â
4a
´ädäm
parece um sopro.
`rbE)A[ lceäK. wym'ªy"÷
4b
Os dias dele são como sombra passageira.
drE_tew> ^ym,äv'-jh; hw"hy>â
5a
Yahweh, estende os céus teus, e desce.
`Wnv'([/y<w>¥ ~yrIåh'B, [G:ß
5b
Toca nas montanhas, e (elas) fumegarão.
~ce_ypit.W qr"B'â qAråB.
6a
Relampeja o relâmpago, e dispersa-os.
`~Me(hut.W ^yC,ªxi÷ xl;îv.
6b
Dispara as tuas flechas, e
confunde-os.
~ArïM'ñmi ^yd<ªy" xl;îv.
7a
Estende as tuas mãos da altura,
~yBi_r: ~yIM:åmi ynIleyCih;w>â ynIcEåP.
7b
livra-me e salva-me das águas volumosas,
`rk")nE ynEåB. dY:©mi÷
7c
da mão dos filhos do estrangeiro,
aw>v"+-rB,DI ~h,yPiâ rv<åa]
8a
cuja boca fala vaidade,
`rq,v'( !ymiäy> ~n"©ymiywI÷)
8b
e cuja destra é destra de falsidade.
%L"+ hr"yviäa' vd"x'â ryviä ~yhiªl{a/
9a
´élöhîm,
um cântico novo cantarei para ti,
`%L")-hr"M.z:a] rAfª['÷ lb,nEïB.
9b
com a harpa de dez cordas tocarei para ti,
~ykiîl'ñM.l; h['ªWvT. !tEïANh;
10a
o que dá salvação aos reis,
`h['(r" br<x,îme ADªb.[; dwIïD"-ta, hc,APh;â
10b
que livra Davi, seu servo, da espada malvada.
rk"ïnEò-ynEB>) dY:ámi éynIleyCih;w> ynIcEïP.
[11a Livra-me e salva-me da mão dos filhos do estrangeiro,
aw>v"+-rB,DI ~h,yPiâ rv<åa]
11b
cuja boca fala vaidade,
`rq,v'( !ymiäy> ~n"©ymiywI÷)
11c
e cuja destra e destra de falsidade.
~h,îyrEñW[n>BI) ~yliçD"gUm. é~y[ijin>Ki
WnynE“B' rv<Üa]
12a
Para que nossos filhos sejam como plantas crescidas, na sua juventude,
`lk'(yhe tynIïb.T; tAbªJ'xum.÷ tYO=wIz"k. WnyteîAnB.
12b
nossas filhas sejam como capitéis ornamentados, imagens de palácio,
!z:ï-la,ñ !Z:©mi ~yqIïypim. é~yailem. WnywEåz"m.
13a
nossos celeiros repletos transbordem, entulhados,
`Wnyte(AcWxB. tAbªB'rUm. tApylia]m;â WnnEåwaco
13b
nossos rebanhos reproduzam aos milhares nas nossas ruas.
~yliîB'ñsum.( WnypeªWLa;
14a
nossos bois sejam férteis,
`Wnyte(boxor>Bi hx'ªw"c.÷ !yaeîw> tace_Ay !yaeäw>
#r<P,â-!yae(
14b
e não haja brecha nem fugas nem grito nas nossas praças
AL+ hk'K'äv, ~['h'â yrEäv.a;
15a
Feliz é o povo que assim é para ele,
`wyh'(l{a/ hw"ïhy]v, ~['ªh'÷ yrEîv.a;(
15b
feliz é o povo que Yahweh é o deus dele.]
Comentário
O v. 2d é decisivo. A expressão härôdëd `ammî taHTäy
(“o que sujeita o meu povo debaixo de mim”) é construída pelo particípio
de um verbo aplicado a Ciro, em Is 45,1, onde se afirma que Yahweh lhe tem
tornado firme a mão direita, para, diante dele, submeter nações. A fórmula
aqui é “sujeitar (ou submeter, ou subjugar) o meu povo debaixo de mim”, e
denuncia a identidade do personagem que tem a palavra: o rei.
Sua identidade já se poderia pressupor pelas declarações constantes dos
v. 1b-2c, todas relacionadas ao contexto da guerra, porque, afinal, se trata do
personagem par excellence desses
enredos. A declaração de 2d, contudo, modifica o estatuto de sua identidade: já
não é plausível que se trate do rei, é dito.
O contexto de guerra, insinuado nos v. 1b-2d, retorna, depois de uma pausa
importante (v. 3-4), no v. 5a. O rei pede a intervenção cósmica de Yahweh –
a tempestade. Os céus, o relâmpago: a tempestade (v. 5a-6b). A vida do rei
corre perigo: as “águas volumosas”, das quais se poderia saltar para a
cosmogonia, ou, no caso, o seu contrário, já que a “criação”, conjunto
“cidade – rei da cidade – povo da cidade”, está sob risco de destruição,
envolvem o rei-salmista, que, temendo pela sua vida, pede a Yahweh que abaixe a
sua mão, e o retire das águas (7a.b). Que essas águas são metáfora mítico-cultural
para a invasão de exércitos estrangeiros, ele mesmo dá a saber: “(livra-me
e salva-me) ... da mão dos filhos do estrangeiro” (v. 7c). Esse estrangeiro deve ser o rei estrangeiro. Os filhos dele, o seu exército.
Finalmente (v. 9-10), o rei aparece com toda a sua força: ele vai cantar um
cântico de guerra, invocando o auxílio indispensável de Yahweh, deus que
salva os reis, e que libra Davi da espada malvada.
Qual o sentido, então, dos v. 3-4?
Wh[e_d"Tew: ~d"a'â-hm' hw"©hy>)
3a
Yahweh, que é ´ädäm?
Mas tu cuidas dele.
`Whbe(V.x;T.w:) vAn©a/÷-!B,
3b
O filho de ´énôš?
Mas tu o estimas.
hm'_D" lb,h,äl; ~d"a'â
4a
´ädäm
parece um sopro.
`rbE)A[ lceäK. wym'ªy"÷
4b
Os dias dele são como sombra passageira.
De quem o rei está falando quando fala de ´ädäm e
de Ben-´énôš (filho
de homem, filho de ´énôš)? Trata-se de uma reflexão
genérica? Ou trata-se de uma confissão do rei de que, sem Yahweh, ele é
apenas ´ädäm?
Penso que o sentido dessa reflexão se prenda ao contexto ideológico da
monarquia. O “rei” é ´ädäm
– ´ädäm par
excellence. Filho de Yahweh, criatura de Yahweh, de quem recebe autoridade e poder
para submeter – e pastorear – o seu povo. Em certo sentido, o rei é um
“homem” como qualquer homem, mas, pelo beneplácito de Yahweh, ele é alçado
à condição de ´ädäm, o
homem da destra de Yahweh, o filho de homem.
Nesse sentido, ´ädäm constitui um termo sócio-político, relacionado à situação particular do
rei, dada a sua condição de “escolhido”, de “ungido”, de “filho”.
No momento do perigo, da guerra, o rei sabe de sua mortalidade. Mas disso
ele sempre soube, e sabe. O que interessa, nesse momento litúrgico, é a rendição
total do rei ao conteúdo da ideologia – agarrar-se à idéia de que Yahweh,
malgrado a condição humana do rei, ratifique todas as suas declarações
processuais, e confirme, agora, na guerra, as injunções litúrgicas da coroação.
Se o rei é ´ädäm, é
justamente agora, no momento da crise, que sua condição verdadeiramente se
revela.
Nesse sentido, a referência a ´ädäm nessa
reflexão dos v. 3-4 não corresponde ao “homem” comum, mortal, das ruas,
componente da população que está, desde a determinação de Yahweh, sujeita
debaixo do rei. A referência é já aí à condição político-social do rei
que, malgrado ser um homem – é ´ädäm,
isto é, aquele a quem Yahweh escolheu para cuidar e estimar, porque o escolheu.
Osvaldo Luiz Ribeiro
04/12/2006