Sl 89,2-52
Apelo real a que Yahweh mantenha a dinastia
hr"yvi_a' ~l'äA[ hw"hy>â ydEäs.x;(
2a
As lealdades de Yahweh para sempre (eu) cantarei,
`ypi(B. ^åt.n"Wma/ [:ydIÞAa rdo¦w" rdoðl.
2b
de geração em geração, farei conhecer a tua fidelidade com a minha boca.
yTir>m;ªa'-yKi(
3a
Porque (eu) disse:
hn<+B'yI ds,x,ä ~l'A[â
3b
Para sempre a lealdade está construída.
`~h,(b' ^åt.n"Wma/ !kIßT' ~yIm;¦v'
3c
Os céus, (tu) estabeleceste a tua fidelidade neles.
yrI+yxib.li tyrIb.â yTi(r:äK'
4a
Cortei uma aliança com meu escolhido,
`yDI(b.[; dwIïd"l. yTi[.B;ªv.nI÷
4b
jurei a Davi, meu servo:
^[<+r>z: !ykiäa' ~l'A[â-d[;
5a
Para sempre estabelecerei a tua semente,
`hl's,( ^åa]s.Ki rAdàw"-rdol. ytiynI“b'W
5b
e construirei de geração a geração o teu trono.
hw"+hy> ^åa]l.Pi ~yIm:åv' WdÜAy¬w>
6a
E manifestarão os céus a tua maravilha, Yahweh,
`~yvi(doq. lh;îq.Bi ^ªt.n"Wm)a/÷-@a;
6b
e a tua fidelidade, na assembléia dos santos.
hw"+hyl; %roæ[]y: qx;V;b;â ymiä yKiÛ
7a
Pois quem no céu se compara a Yahweh?
`~yliae ynEïb.Bi hw"©hyl;÷ hm,îd>yI
7b
Assemelha-se a Yahweh entre os filhos dos deuses?
~yviädoq.-dAsB. #r"[]n:â laeä
8a
´ël é
temido no conselho dos santos,
`wyb'(ybis.-lK'-l[; ar"ªAnw>÷ hB'_r:
8b
grande e terrível sobre todos os que o cercam.
^Amßk'(-ymi( tAaªb'c. yheÛl{«a/
hw"Ühy>
9a
Yahweh, deus dos exércitos, quem é como tu?
`^yt,(Abybis. ^ªt.n"Wm)a/w<÷
Hy"+ !ysiîx]
9b
Poderoso é Yah, e a tua fidelidade está ao redor de ti.
~Y"+h; tWaågEB. lveAmâ hT'äa;
10a
É tu que governas sobre a impetuosidade do mar.
`~xe(B.v;t. hT'îa; wyL'ªg:÷ aAfïB.
10b
No levantar das ondas dele, é tu que as acalmas.
bh;r"_ ll'äx'k, t'aKiädI hT'Ûa;
11a
Tu é que esmagaste, como a carcaça, a rähab,
`^yb,(y>Aa T'r.Z:ïPi ^ªZ>[u÷ [;Arïz>Bi
11b
com o braço da tua força desbarataste teus inimigos.
#r<a'_ ^ïl.-@a; ~yIm;v'â ^ål.
12a
Teus são os céus, e tua é a terra.
`~T'(d>s;y> hT'îa; Ha'ªl{m.W÷ lbeîTe
12b
O mundo e a completude deles, tu é que estabeleceste.
~t'_ar"b. hT'äa; !ymiy"w>â !Apåc'
13a
Norte e sul, tu é que os criaste.
`WnNE)r:y> ^ïm.viB. !Amªr>x,w>÷
rAbðT'
13b
Tabor e Hermon no teu nome exultam.
hr"_WbG>-~[i [:Arz>â ^ål.
14a
Teu é o braço com poder,
`^n<)ymiy> ~WrïT' ^ªd>y"÷ z[oïT'
14b
forte é a tua mão, elevada é a tua destra.
^a<+s.Ki !Akåm. jP'v.miWâ qd<c,ä
15a
Justiça e julgamento são o fundamento do teu trono,
`^yn<)p' WmïD>q;y>) tm,ªa/w<÷
ds,x,î
15b
lealdade e verdade vão adiante das tuas faces.
h['_Wrt. y[eäd>Ay ~['h'â yrEäv.a;
16a
Feliz o povo que conhece a celebração,
`!Wk)Leh;y> ^yn<ïP'-rAaB.( hw"©hy>÷
16b
Yahweh, na luz das tuas faces (ele) andará.
~AY=h;-lK' !WlåygIy> ^m.viB.â
17a
No teu nome se alegrará o dia todo,
`WmWr)y" ^ït.q'd>cib.W
17b
e na tua justiça exultará.
hT'a'_ AmZ"å[u tr<a,äp.ti-yKi(
18a
Porque a beleza da força dele és tu,
`WnnE)r>q; ~WrïT' ^ªn>cor>biW÷
18b
e no teu favor se exalta o nosso chifre.
WnNE+gIm") hw"hyl;â(
yKiä
19a
Porque de Yahweh é o nosso escudo,
`WnKe(l.m; laeär"f.yI vAdßq.liw>
19b
e do Santo de Israel é o nosso rei.
rm,aToªw: ^yd<ªysix]l;( !Azx'‡b.-T'(r>B:ïDI za'Û
20a Então (tu) falaste em visão aos teus santos, e disseste:
rAB=GI-l[; rz<[eâ ytiyWIåvi
20b
(eu) pus ajuda sobre um guerreiro,
`~['(me rWxåb' ytiAmßyrIh]
20c
levantei um escolhido dentre o povo.
yDI_b.[; dwIåD" ytiac'm'â
21a
(Eu) encontrei Davi, o meu servo,
`wyTi(x.v;m. yviäd>q' !m,v,ÞB.
21b
com o óleo da minha santidade (eu) o ungi,
AM+[i !AKåTi ydIy"â rv<åa]
22a
a quem a minha mão estabelecerá,
`WNc,(M.a;t. y[iîArz>-@a;
22b
e o meu braço confirmará.
AB+ byEåAa aViäy:-al{)
23a
Não prevalecerá o inimigo contra ele,
`WNN<)[;y> al{å hl'ªw>[;÷-!b,W
23b
e o filho da maldade não o afligirá.
wyr"_c' wyn"åP'mi ytiäATk;w>
24a
Porque eu derrubarei diante das faces dele os seus adversários,
`@AG*a, wya'în>f;m.W
24b
e aqueles que o odeiam (eu) ferirei.
AM+[i yDIäs.x;w> ytiän"Wma,(w<)
25a
E a minha fidelidade e a minha lealdade estarão com ele,
`An*r>q; ~WrïT' ymiªv.biW÷
25b
e no meu nome será exaltado o chifre dele.
Ad+y" ~Y"åb; yTiäm.f;w>
26a
E (eu) colocarei no mar a mão dele,
`An*ymiy> tArïh'N>b;W¥
26b
e nos rios a destra dele.
yliªae÷ hT'a'_ ybia'ä ynIaer"q.yIâ aWhå
27a
Ele (é que) me invocará: “Meu pai és tu, ´ël meu,
`yti(['Wvy> rWcåw>
27b
e a rocha da minha salvação,
rAkæB. ynIa'â-@a;
28a
e eu (é que) sou o primogênito”.
`#r<a'(-ykel.m;l. !Ay©l.[,÷ WhnE+T.a,
28b
(Eu) o tornarei mais elevado do que os reis.
yDI_s.x; AlÎ-rm'v.a, ~l'ªA[l.â
29a
Para sempre conservarei para ele a minha lealdade,
`Al* tn<m<ïa/n< ytiªyrIb.W÷
29b
e minha aliança será fiel para ele.
A[=r>z: d[;äl' yTiäm.f;w>
30a
Estabelecerei para sempre a semente dele,
`~yIm")v' ymeîyKi Aaªs.kiw>÷
30b
e o trono dele, como os dias dos céus.
yti_r"AT wyn"b'â Wbåz>[;y:)-~ai
31a
Se abandonarem os filhos dele a minha lei,
`!Wk)leyE al{å yj;ªP'v.mib.W÷
31b
e nos meus julgamentos eles não andarem,
WlLe_x;y> yt;îQoxu-~ai
32a
se os meus preceitos (eles) profanarem,
`Wrmo*v.yI al{å yt;ªwOc.miW÷
32b
e os meus mandamentos (eles) não guardarem,
~['_v.Pi jb,veäb. yTiäd>q;p'W
33a
então visitarei com vara a transgressão deles,
`~n")wO[] ~y[iîg"n>biW
33b
e com açoites a iniqüidade deles,
AM=[ime( rypiäa'-al{) yDIs.x;w>â
34a
mas a minha lealdade não retirarei de junto dele,
`yti(n"Wma/B, rQeªv;a]÷-al{)w>
34b
nem quebrarei a minha fidelidade,
yti_yrIB. lLeîx;a]-al{
35a
não profanarei a minha aliança,
`hN<)v;a] al{å yt;ªp'f.÷ ac'îAmW
35b
e o pronunciamento dos meus lábios não mudarei.
yvi_d>q'b. yTi[.B;äv.nI tx;a;â
36a
Já jurei pela minha santidade,
`bZE)k;a] dwIïd"l.-~ai(
36b
e a Davi não mentirei.
hy<+h.yI ~l'äA[l. A[r>z:â
37a
A semente dele para sempre será,
`yDI(g>n< vm,V,äk; Aaßs.kiw>
37b
e o trono dele como o sol diante de mim.
~l'_A[ !AKåyI x:rEy"K.â
38a
Como a lua, (ele) foi estabelecido para sempre,
`hl's,( !m"ïa/n< qx;V;ªB;÷ d[eîw>
38b
e a testemunha no céu é fiel.
sa'_m.Tiw: T'x.n:z"â hT'äa;w>
39a
Mas tu rejeitaste e desprezaste,
`^x<)yvim.-~[i T'r>B;ª[;t.hi÷
39b
(tu) te indignaste com teu ungido.
^D<+b.[; tyrIåB. hT'r>a;nEâ
40a
(Tu) repudiaste a aliança com o teu servo,
`Ar*z>nI #r<a'äl' T'l.L;Þxi
40b
e profanaste na terra a coroa dele.
wyt'_rodEG>-lk' T'c.r:îP'
41a
(Tu) derrubaste todas as muralhas dele,
`hT'xim. wyr"äc'b.mi T'm.f;Þ
41b
reduziste as fortificações dele a ruína.
%r<d"_ yrEb.[oå-lK' WhSuv;â
42a
Saqueiam todos os que passam pelo caminho,
`wyn"¥kev.li hP'ªr>x,÷ hy"ïh'
42b
tornou-se opróbrio para os vizinhos dele.
wyr"_c' !ymiäy> t'AmyrIh]â
43a
(Tu) levantaste a destra dos adversários dele,
`wyb'(y>Aa-lK' T'x.m;ªf.hi÷
43b
Levaste ao regozijo todos os inimigos dele.
AB=r>x; rWcå byviT'â-@a;
44a
Também desgastaste o fio da espada dele,
`hm'(x'l.MiB; Atªmoyqeh]÷ al{ïw>
44b
e não o sustentaste na batalha.
Ar=h'J.mi T'B;îv.hi
45a
(Tu) o privaste do esplendor dele,
`hT'r.G:)mi #r<a'îl' Aaªs.kiw>÷
45b
e o trono dele por terra deitaste.
wym'_Wl[] ymeäy> T'r>c;q.hiâ
46a
(Tu) encurtaste os dias das mocidades dele,
`hl's,( hv'äWB wyl'Þ[' t'yji’[/h,(
46b
e jogaste sobre ele vergonha.
rtEåS'Ti hw"hy>â hm'ä-d[;
47a
Até quando, Yahweh, esconder-te-ás?
`^t<)m'x] vaeä-AmK. r[:ßb.Ti xc;n<+l'
47b
Para sempre queimará como fogo a tua cólera?
dl,x'_-hm, ynIïa]-rk'z>
48a
Lembra-te de mim. Onde está a vida?
`~d"(a'-ynEB.-lk' t'ar"îB' aw>V'©÷-hm;-l[;
48b
Foi para isto que criaste todos os Bünê-´ädäm?
tw<M"+-ha,r>yI al{åw> hy<x.yIâ) rb,g<å
ymiÛ
[
49a Que homem vive, e não vê a morte?
`hl's,( lAaåv.-dY:mi Avßp.n: jLe’m;y>
49b
Escapa a vida dele da mão do šü´ôl? ]
yn"+doa] ~ynIïvoarIh' ^yd<Þs'x] hYEÜa;
50a
Onde estão as tuas lealdades antigas, Senhor?
`^t<)n"Wma/B, dwI©d"l.÷ T'[.B;îv.nI
50b
(Tu) juraste a Davi pela tua fidelidade...
^yd<_b'[] tP;är>x, yn"doa]â rkoæz>
51a
Lembra-te, Senhor, do opróbrio dos teus servos.
`~yMi([; ~yBiîr:-lK' yqiªyxeb.÷ ytiîaef.
51b
(Eu) carrego no meu colo todas essas
muitas pessoas.
hw"+hy> ^yb,îy>Aa Wpßr>xe rv<Üa]
52a
Porque têm afrontado os teus inimigos, Yahweh,
`^x<)yvim. tAbïQ.[i Wpªr>xe÷ rv<ïa]
52b
porque têm afrontado os passos do teu ungido.
Comentário
Esse é um texto da maior importância para a minha Tese de Doutorado,
porque, a meu ver, num ponto indiscutivelmente, em outro, com menor obviedade,
ele assume dois elementos fundamentais da cosmogonia – o estabelecimento da
criação desdobra-se na dimensão física, a cidade, e política, o governo da
cidade.
O Sl 89 é uma súplica real, cujos argumentos são recolhidos à
funcionalidade político-cultural da cosmogonia.
Proponho um “comentário” verso a verso.
|
hr"yvi_a' ~l'äA[ hw"hy>â ydEäs.x;( 2a
As lealdades de Yahweh para sempre (eu) cantarei, `ypi(B. ^åt.n"Wma/ [:ydIÞAa rdo¦w" rdoðl. 2b
de geração em geração, farei conhecer a tua fidelidade com a minha
boca. |
[v. 2] É o rei quem fala. Ele vai cantar as “lealdades” e a
“fidelidade” de Yahweh. Essas duas palavras vão se repetir ao longo
da súplica (“lealdade:, v. 2, 3, 15, 25, 29, 34 e 50, e
“fidelidade”, v. 2, 3, 6, 9, 25, 29, 34 e 50). E elas servirão de
eixo em torno do qual os dois temas – “criação” e “dinastia”
se articulam, para construir o discurso ideológico, sócio-político e
mítico-teológico, da “cidade real” como “criação”. |
|
yTir>m;ªa'-yKi( 3a
Porque (eu) disse: hn<+B'yI ds,x,ä ~l'A[â 3b
Para sempre a lealdade está construída. `~h,(b' ^åt.n"Wma/ !kIßT' ~yIm;¦v' 3c
Os céus, (tu) estabeleceste a tua fidelidade neles. |
[v. 3] O eixo, em torno do qual se articulam os dois elementos
fundamentais da cosmogonia – “cidade” e “governo” – prepara
o seu “giro” aqui. O rei-salmista introduzira as duas palavras,
“lealdade” e “fidelidade”, genericamente. A partir daqui, vai
articular em torno delas tanto a “criação”, quanto a “aliança”.
Em termos cosmogônicos, a “cidade” e a “dinastia”. Os verbos
“construir” (v. 3 e 5) e “estabelecer” (v. 3, 5, 22 e 38) são
relevantes, nesse contexto. Quando o rei-salmista afirma que “a tua
fidelidade” está estabelecida nos céus, já aí ele articula o tema
da “dinastia”, a ser introduzido adiante, e da “criação”. Numa
palavra: cosmogonia. E mais: dizer que a “lealdade” está “construída”,
é igualmente articular os elementos “construção da cidade” como “criação”, e dinastia como
governo cosmogônico. |
|
yrI+yxib.li tyrIb.â yTi(r:äK' 4a
Cortei uma aliança com meu escolhido, `yDI(b.[; dwIïd"l. yTi[.B;ªv.nI÷ 4b
jurei a Davi, meu servo: ^[<+r>z: !ykiäa' ~l'A[â-d[; 5a
Para sempre estabelecerei a tua semente,
`hl's,( ^åa]s.Ki
rAdàw"-rdol. ytiynI“b'W 5b
e construirei de geração a geração o teu trono.
|
[v. 4-5] Agora é o próprio Yahweh quem fala. Como no v. 3a, o
rei-salmista recorda-se de ter “dito”, fica insinuada uma referência
pragmática à declamação da cosmogonia durante a coroação. O Sitz
im Leben da cosmogonia é sempre um momento de “fundação” sócio-política.
Yahweh, nesse momento, “corta uma aliança” com Davi. Os verbos se
repetem: “construir” e “estabelecer”. Esses dois verbos haviam
sido introduzidos genericamente no verso anterior, instalando a
“lealdade” e a “fidelidade” de Yahweh nos céus e para sempre.
Agora, são utilizados, de um lado, para afirmar o estabelecimento –
termo cosmogônico – da dinastia, e a construção do trono. Além
disso, o caráter de “eternidade” dos céus é igualmente
transferido para a “aliança”. Nem podia ser diferente, uma vez que
“criação” e “dinastia” são os dois temas sine
qua non da cosmogonia. São sua razão de ser. |
|
hw"+hy> ^åa]l.Pi ~yIm:åv' WdÜAy¬w> 6a
E manifestarão os céus a tua maravilha, Yahweh, `~yvi(doq. lh;îq.Bi ^ªt.n"Wm)a/÷-@a; 6b
e a tua fidelidade, na assembléia dos santos
|
[v. 6] Volta a falar o rei-salmista. Estabelecida a dinastia, firmada a
aliança, construído o trono, doravante, os céus manifestarão essa
maravilha de Yahweh. Desenvolvendo-se a estrutura sintática dos dois
versos, obtém-se o seguinte resultado: “os céus manifestarão a tua
maravilha e a tua fidelidade, Yahweh, na assembléia dos santos”. Seja
essa “assembléia dos santos” uma referência ou aos oficiais
celestes da corte de Yahweh, ou aos oficiais do próprio rei, ou, ainda,
ao próprio “povo” da cidade, a intenção teológico-política da
declaração é óbvia. Os céus são testemunha do caráter perene da
aliança. Mais: os céus representam a estabilidade da dinastia. É cá
como lá. |
|
hw"+hyl; %roæ[]y: qx;V;b;â ymiä yKiÛ 7a
Pois quem no céu se compara a Yahweh? `~yliae ynEïb.Bi hw"©hyl;÷ hm,îd>yI 7b
Assemelha-se a Yahweh entre os filhos dos deuses? ~yviädoq.-dAsB. #r"[]n:â laeä 8a
´ël é temido no conselho dos santos, `wyb'(ybis.-lK'-l[; ar"ªAnw>÷ hB'_r: 8b
grande e terrível sobre todos os que o cercam. ^Amßk'(-ymi( tAaªb'c. yheÛl{«a/
hw"Ühy> 9a
Yahweh, deus dos exércitos, quem é como tu? `^yt,(Abybis. ^ªt.n"Wm)a/w<÷
Hy"+ !ysiîx] 9b
Poderoso é Yah, e a tua fidelidade está ao redor de ti. |
[v. 7-8] Um elogio de Yahweh que, em última análise, retroage
ideologicamente sobre a figura do rei. O contexto é cosmogônico, logo,
político, e a denúncia da função ideológica do poema não pode ser
considera vício hermenêutico. Mas há uma outra intenção retórica
na série, já que ela se faz concluir com a declaração de que aquela
já decantada “fidelidade” está ao redor de Yah (aí equivalente a
Yahweh, ´ël e
´élöhê cübä´ôt [“deus
dos exércitos”]). Uma vez que todo o salmo constrói-se em razão da
percepção da ruptura da dinastia, tantas referências elogiosas à
condição incomparável de Yahweh, ao temor que por ele se tem no
“conselho dos santos”, à sua grandeza e terribilidade, ao seu
poder, tendem a pôr em cheque a própria crise dinástico-nacional como
incoerência. Um tal Yahweh, tendo ao redor de si a sua fidelidade,
somente caso não queira é que abandonará irremediavelmente seu
escolhido. Essa possibilidade, contudo, será questionada, e descartada,
adiante. |
|
~Y"+h; tWaågEB. lveAmâ hT'äa; 10a
É tu que governas sobre a impetuosidade do mar. `~xe(B.v;t. hT'îa; wyL'ªg:÷ aAfïB. 10b
No levantar das ondas dele, é tu que as acalmas. bh;r"_ ll'äx'k, t'aKiädI hT'Ûa; 11a
Tu é que esmagaste, como a carcaça, a rähab, `^yb,(y>Aa T'r.Z:ïPi ^ªZ>[u÷ [;Arïz>Bi 11b
com o braço da tua força desbarataste teus inimigos. #r<a'_ ^ïl.-@a; ~yIm;v'â ^ål. 12a
Teus são os céus, e tua é a terra. `~T'(d>s;y> hT'îa; Ha'ªl{m.W÷ lbeîTe 12b
O mundo e a completude deles, tu é que estabeleceste. ~t'_ar"b. hT'äa; !ymiy"w>â !Apåc' 13a
Norte e sul, tu é que os criaste. `WnNE)r:y> ^ïm.viB. !Amªr>x,w>÷
rAbðT' 13b
Tabor e Hermon no teu nome exultam. |
[v. 10-13] O leitor ainda não foi informado, mas, quando perceber, mais
adiante, que se trata, afinal, de uma crise dinástico-nacional, então
compreenderá que o que aí se “canta” constitui argumento retórico.
A crise é incoerente. Se já não inadmissível. Esses versos põem a mão
na própria “criação”. Não se trata do mar “natural”, e das
tempestades que lá acontecem, e que Yahweh costuma acalmar (Sl
107,23-30). Trata-se, aqui, do Mar, o a
priori cosmogônico. Não estamos, ainda, nos dias de 2 Mc 7,28. As
águas primordiais são o começo. De forma coerente com a cosmogonia
situada, isto é, em absoluta adequação à funcionalidade pragmática
da cosmogonia, em seu Sitz im Leben, o Mar tem as suas ondas levantadas. O Mar é
Tempestade. Fácil compreender: uma vez que “criação” é fundação
de estrutura sócio-política, implicando a construção da cidade e o
estabelecimento do governo, ela se dá, sempre, a partir de uma condição
onde lá não havia a “criação”
– isso quando não já a partir de conflagrações bélico-militares e
convulsões político-sociais. O rei-salmista sabe disso, e evoca esse
momento, sem perder, contudo, a consciência de que, mesmo esse estado
de “convulsão” das águas, constitui acontecimento sobre o
“governo” de Yahweh. É ele quem governa sobre o Mar, ainda
que as águas dele estejam revoltas. Como é ele o governante, se as
ondas do Mar se levantam, ele as pode – se quer – fazer abaixar.
Note-se a referência à “luta” cósmica com rähab, que situa ainda mais claramente a referência cosmogônica do discurso
do rei-salmista. E ele prossegue: acalmadas as ondas do Mar, vencidas as
forças contra-cosmogônicas, céus, terra e tudo quanto neles há são
de Yahweh. Que se trata do tema da criação deles fica ainda mais claro
a seguir, quando o rei-salmista declara que Yahweh “criou” o norte e
o sul. Lida fora de sua situação concreta, a poesia real parece
teologia. Situada, isto é,
recuperada sua condição concreta, pragmática, contextual, histórico-social,
converte-se no que era: retórica político-ideológica de
sobredeterminação do estatuto da dinastia. O que ficará ainda mais
evidente a seguir. |
|
hr"_WbG>-~[i [:Arz>â
^ål. 14a
Teu é o braço com poder, `^n<)ymiy> ~WrïT' ^ªd>y"÷ z[oïT' 14b
forte é a tua mão, elevada é a tua destra. ^a<+s.Ki !Akåm. jP'v.miWâ qd<c,ä 15a
Justiça e julgamento são o fundamento do teu trono, `^yn<)p' WmïD>q;y>) tm,ªa/w<÷
ds,x,î 15b
lealdade e verdade vão adiante das tuas faces.
h['_Wrt. y[eäd>Ay ~['h'â yrEäv.a; 16a
Feliz o povo que conhece a celebração, `!Wk)Leh;y> ^yn<ïP'-rAaB.( hw"©hy>÷ 16b
Yahweh, na luz das tuas faces (ele) andará. ~AY=h;-lK' !WlåygIy> ^m.viB.â 17a
No teu nome se alegrará o dia todo, `WmWr)y" ^ït.q'd>cib.W 17b
e na tua justiça exultará. hT'a'_ AmZ"å[u tr<a,äp.ti-yKi( 18a
Porque a beleza da força dele és tu, `WnnE)r>q; ~WrïT' ^ªn>cor>biW÷ 18b
e no teu favor se exalta o nosso chifre. WnNE+gIm") hw"hyl;â(
yKiä 19a
Porque de Yahweh é o nosso escudo, `WnKe(l.m; laeär"f.yI vAdßq.liw> 19b
e do Santo de Israel é o nosso rei. |
[v. 14-19] Os v. 10-13, a retórica do rei-salmista traz à memória (de
Yahweh) o momento da cosmogonia. Lá, contudo, descreve-se apenas uma
dimensão da cosmogonia, justamente, a dimensão mítica. Mas o
rei-salmista sabe, e, no fundo, é isso que (lhe) interessa, a
cosmogonia não é “mito”, é política. Por conta disso, é necessário
desdobrar a dimensão sócio-política da cosmogonia. Essa é a função
dos v. 14-19: depois da “criação” dos céus e da terra, surge o
“povo” (v. 16a). Uma vez que “céus e terra” são dimensões mítico-poéticas
da “cidade”, o que o sabe muito bem Sl 102,13-23, a “criação”
de céus e terra equivale mítico-poeticamente à (re)construção da
cidade. Cidade que é cidade para o “povo”, o que também o sabe
muito bem Sl 102,19b (“povo criado”). É por essa razão que o
rei-salmista faz surgir o povo sob o governo de Yahweh, logo depois de
ter feito surgir céus e terra. Descreve o braço poderoso de Yahweh,
sua destra erguida, seu trono, cujos fundamentos são justiça e
julgamento, sem esquecer de mencionar, de novo, a fidelidade de Yahweh.
Diante desse quadro de governo divino, é dito que feliz é o povo sob
esse regime. Mais precisamente, o rei-salmista refere-se à Türû`â, que pode ser
associada, através de Ed 3,11, por exemplo, às celebrações de fundação
do Templo de Jerusalém. Seja o que for, exatamente essa Türû`â,
trata-se, aqui, de manifestações litúrgico-festivas em face da relação
do povo com seu Deus-Rei-Criador. É no nome dele que o povo se alegrará
(v. 17a), é dele que obterá a justiça (v. 17b). Nele reconhecerá a
beleza da própria força (v. 18a), e, dado o favor dele, se orgulhará
(v. 18b). O encaminhamento ideológico dessas expressões culmina com o
reconhecimento da figura do rei como agente de Yahweh, por meio do qual
as razões para a alegria e o orgulho se consubstanciam: “do Santo de
Israel é o nosso rei” (19b). |
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rm,aToªw: ^yd<ªysix]l;( !Azx'‡b.-T'(r>B:ïDI
za'Û 20a
Então (tu) falaste em visão aos teus santos, e disseste:
rAB=GI-l[; rz<[eâ ytiyWIåvi 20b
(eu) pus ajuda sobre um guerreiro,
`~['(me
rWxåb' ytiAmßyrIh] 20c
levantei um escolhido dentre o povo. yDI_b.[; dwIåD" ytiac'm'â 21a
(Eu) encontrei Davi, o meu servo, `wyTi(x.v;m. yviäd>q' !m,v,ÞB. 21b
com o óleo da minha santidade (eu) o ungi, AM+[i !AKåTi ydIy"â rv<åa] 22a
a quem a minha mão estabelecerá, `WNc,(M.a;t. y[iîArz>-@a; 22b
e o meu braço confirmará. AB+ byEåAa aViäy:-al{) 23a
Não prevalecerá o inimigo contra ele, `WNN<)[;y> al{å hl'ªw>[;÷-!b,W 23b
e o filho da maldade não o afligirá. wyr"_c' wyn"åP'mi ytiäATk;w> 24a
Porque eu derrubarei diante das faces dele os seus adversários, `@AG*a, wya'în>f;m.W 24b
e aqueles que o odeiam (eu) ferirei. AM+[i yDIäs.x;w> ytiän"Wma,(w<) 25a
E a minha fidelidade e a minha lealdade estarão com ele, `An*r>q; ~WrïT' ymiªv.biW÷ 25b
e no meu nome será exaltado o chifre dele. Ad+y" ~Y"åb; yTiäm.f;w> 26a
E (eu) colocarei no mar a mão dele, `An*ymiy> tArïh'N>b;W¥ 26b
e nos rios a destra dele. yliªae÷ hT'a'_ ybia'ä ynIaer"q.yIâ aWhå 27a
Ele (é que) me invocará: “Meu pai és tu, ´ël meu, `yti(['Wvy> rWcåw> 27b
e a rocha da minha salvação, rAkæB. ynIa'â-@a; 28a
e eu (é que) sou o primogênito”. `#r<a'(-ykel.m;l. !Ay©l.[,÷ WhnE+T.a, 28b
(Eu) o tornarei mais elevado do que os reis. yDI_s.x; AlÎ-rm'v.a, ~l'ªA[l.â 29a
Para sempre conservarei para ele a minha lealdade, `Al* tn<m<ïa/n< ytiªyrIb.W÷ 29b
e minha aliança será fiel para ele. A[=r>z: d[;äl' yTiäm.f;w> 30a
Estabelecerei para sempre a semente dele, `~yIm")v' ymeîyKi Aaªs.kiw>÷ 30b
e o trono dele, como os dias dos céus. yti_r"AT wyn"b'â Wbåz>[;y:)-~ai 31a
Se abandonarem os filhos dele a minha lei, `!Wk)leyE al{å yj;ªP'v.mib.W÷ 31b
e nos meus julgamentos eles não andarem,
WlLe_x;y> yt;îQoxu-~ai 32a
se os meus preceitos (eles) profanarem,
`Wrmo*v.yI
al{å yt;ªwOc.miW÷ 32b
e os meus mandamentos (eles) não guardarem, ~['_v.Pi jb,veäb. yTiäd>q;p'W 33a
então visitarei com vara a transgressão deles, `~n")wO[] ~y[iîg"n>biW 33b
e com açoites a iniqüidade deles, AM=[ime( rypiäa'-al{) yDIs.x;w>â 34a
mas a minha lealdade não retirarei de junto dele, `yti(n"Wma/B, rQeªv;a]÷-al{)w> 34b
nem quebrarei a minha fidelidade, yti_yrIB. lLeîx;a]-al{ 35a
não profanarei a minha aliança, `hN<)v;a] al{å yt;ªp'f.÷ ac'îAmW 35b
e o pronunciamento dos meus lábios não mudarei. yvi_d>q'b. yTi[.B;äv.nI tx;a;â 36a
Já jurei pela minha santidade, `bZE)k;a] dwIïd"l.-~ai( 36b
e a Davi não mentirei. hy<+h.yI ~l'äA[l. A[r>z:â 37a
A semente dele para sempre será, `yDI(g>n< vm,V,äk; Aaßs.kiw> 37b
e o trono dele como o sol diante de mim. ~l'_A[ !AKåyI x:rEy"K.â 38a
Como a lua, (ele) foi estabelecido para sempre, `hl's,( !m"ïa/n< qx;V;ªB;÷ d[eîw> 38b
e a testemunha no céu é fiel. |
[v. 20-38] A “criação” dos céus e da terra precisa ser mencionada,
porque ela é o fundamento retórico da cosmogonia. O significado pragmático
da cosmogonia precisa ser considerado, porque “criação” é construção
de “cidade”, ou não é “criação”. Por sua vez, “cidade”
implica num sistema de governo. O povo, celebrando, feliz, sob o governo
da divindade, constitui um elemento discursivo retórico-teológico (v.
14-18), a que corresponde, na prática, esse mesmo povo, sob o governo
de seu rei (v. 19). A crise a partir da qual o rei-salmista fala,
contudo, é a crise dinástico-nacional. A figura do rei, portanto, deve
ocupar o centro da cena. Afinal, a cena só existe por conta disso. E
ela começa dando contas de que Yahweh levanta um escolhido dentre o
povo, Davi, seu servo (v. 20c-21a). Ungido pela santidade de Yahweh (v.
21b), é sua mão quem o “estabelecerá” (v. 22a). Ressurge o verbo
cosmogônico – estabelecidos os céus, estabelecido “Davi”. Não
é necessário, pelo contrário, ligar o rei-salmista ao próprio Davi.
Mas é necessário ligar o salmo à tradição dinástica judaíta, a
partir da qual, e dentro da qual, não só se constrói, como se
legitima, recorrendo aos tipos retóricos constituídos pela longa tradição de Judá. O
rei-salmista pode recorrer aos argumentos que recorre, porque eles estão
disponíveis na tradição da coroa, desdobrada em seus aspectos político-sociais,
mítico-teológicos e poético-litúrgicos. O efeito – ou a intenção
– do discurso do rei-salmista é duplo. De um lado, ratifica sua posição
em face da dinastia, a cujo direito ele se vincula, e cuja tradição
ele homologa, e quer ver homologada. De outro lado, a súplica,
plasticamente dirigida a Yahweh, quer trazer às memória dele o regime
sob o qual a dinastia está erigida: “a minha fidelidade e a minha
lealdade estarão com ele” (v. 25a). O concurso das duas expressões-chave
do salmo começam a fazer ver ao leitor que, desde o v. 2 que tal cobrança
estava sendo preparada. Elas são mencionadas não como memória, mas
como cobrança, com base no fato de que, claro, nos termos da tradição
dinástico-cosmogônica, remonta ao próprio Yahweh a garantia de sua
lealdade e fidelidade ao rei. Rei que tem em Yahweh um Pai (v. 27a
[assim como o Yahweh do Sl 2,6-7 tem, no rei, de Jerusalém, seu
filho]). Um filho sobre-excelente (v. 28b). Em relação a ele, num fôlego
só, é dito: a) para sempre conservarei para ele a minha lealdade; b) a
minha aliança será fiel para ele; c) estabelecerei para sempre a
semente dele; e d) o trono dele, como os dias dos céus (v. 30a-31b).
Nesse arremate seccional, introduz-se a referência mais específica ao
próprio rei-salmista, que se faz contar no conjunto histórico-tradicional
da “semente” de Davi. Recorrer a Davi, como “patrono”, é ponte
retórica para trazer a questão para si próprio. E a situação
declarada do rei-salmista, a partir do qual ele se pronuncia, começa a
emergir. Os v. 31-33 argumentam a partir da acusação de que a semente
de Davi teria quebrado todos os seus compromissos com a aliança. O
rei-salmista, se traz o argumento à luz, é porque ele conta no quadro
histórico. Mas ele é contornado, pelo recurso de dizer que, ainda que
seja o caso, nem por isso a lealdade e a fidelidade de Yahweh seriam
retiradas dessa semente. Fazê-lo, seria, para Yahweh, profanar a sua
aliança, e isso é dito que o próprio Yahweh teria assumido jamais
fazer (v. 35a). A ênfase das declarações postas na boca de Yahweh
trazem luz para a compreensão do salmo inteiro. Yahweh parte do
pressuposto da quebra de confiança da semente de Davi. Ele já contava
com isso, inclusive. Diante do fato, Yahweh até castiga o rei (v. 33),
mas sem que admita a mínima possibilidade de ele mesmo romper sua aliança:
a)
a minha lealdade não
retirarei de junto dele b)
nem quebrarei a minha
fidelidade c)
não profanarei a minha
aliança d)
o pronunciamento dos
meus lábios não mudarei Depois dessas afirmações categóricas de Yahweh (v. 34-35), chega a hora
de serem articuladas todas as temáticas até aqui desenvolvidas pelo
rei-salmista (v. 36-38). Ei-las: a) Yahweh jurou a Davi e, pela sua
santidade, não mentirá a ele; b) a semente de Davi estará no trono
para sempre; c) assim como o
sol e a lua. A permanência do rei-salmista no trono é uma garantia
cosmogônica, e “a testemunha no céu é fiel” (v. 38b). |
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sa'_m.Tiw: T'x.n:z"â hT'äa;w> 39a
Mas tu rejeitaste e desprezaste, `^x<)yvim.-~[i T'r>B;ª[;t.hi÷ 39b
(tu) te indignaste com teu ungido. ^D<+b.[; tyrIåB. hT'r>a;nEâ 40a
(Tu) repudiaste a aliança com o teu servo, `Ar*z>nI #r<a'äl' T'l.L;Þxi 40b
e profanaste na terra a coroa dele. wyt'_rodEG>-lk' T'c.r:îP' 41a
(Tu) derrubaste todas as muralhas dele, `hT'xim. wyr"äc'b.mi T'm.f;Þ 41b
reduziste as fortificações dele a ruína. %r<d"_ yrEb.[oå-lK' WhSuv;â 42a
Saqueiam todos os que passam pelo caminho, `wyn"¥kev.li hP'ªr>x,÷ hy"ïh' 42b
tornou-se opróbrio para os vizinhos dele. wyr"_c' !ymiäy> t'AmyrIh]â 43a
(Tu) levantaste a destra dos adversários dele, `wyb'(y>Aa-lK' T'x.m;ªf.hi÷ 43b
Levaste ao regozijo todos os inimigos dele. AB=r>x; rWcå byviT'â-@a; 44a
Também desgastaste o fio da espada dele, `hm'(x'l.MiB; Atªmoyqeh]÷ al{ïw> 44b
e não o sustentaste na batalha. Ar=h'J.mi T'B;îv.hi 45a
(Tu) o privaste do esplendor dele, `hT'r.G:)mi #r<a'îl' Aaªs.kiw>÷ 45b
e o trono dele por terra deitaste. wym'_Wl[] ymeäy> T'r>c;q.hiâ 46a
(Tu) encurtaste os dias das mocidades dele, `hl's,( hv'äWB wyl'Þ[' t'yji’[/h,( 46b
e jogaste sobre ele vergonha. |
[v. 39-46] Nesses versos o leitor se depara com a situação concreta por
traz do salmo, ou, em termos hermenêutico-pragmáticos, com o cenário
n o qual o salmo se insere e, assim, insere o leitor. Ainda que Yahweh
jurara a Davi, e que o trono seja uma expressão da cosmogonia, o fato
é que o rei foi “rejeitado”. Yahweh se teria indignado (v. 39b),
repudiado a aliança com o servo dele (v. 40a), o que explicaria, à luz
da retórica teológico-traditiva, a profanação da coroa (v. 40b). À
profanação da coroa, corresponde a destruição da cidade: muralhas e
fortificações (v. 41). O que era o seu reino, agora é lugar de saque
(v. 42a), e, porque o próprio Yahweh levantou a destra dos inimigos dos
reis (v. 43a), tanto eles se alegram por isso (v. 43b), quanto zombam da
sua desgraça (v. 42b). Contra eles, o rei nada pode fazer (v. 44).
Perdida a guerra, seu trono lhe é destituído (v. 45b), e seu traje
real, arrancado (v. 45a). Sua vida está por um fio (v. 46a), e coberta
pela vergonha (v. 46b). |
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rtEåS'Ti hw"hy>â hm'ä-d[; 47a
Até quando, Yahweh, esconder-te-ás? `^t<)m'x] vaeä-AmK. r[:ßb.Ti xc;n<+l' 47b
Para sempre queimará como fogo a tua cólera? dl,x'_-hm, ynIïa]-rk'z> 48a
Lembra-te de mim. Onde está a vida? `~d"(a'-ynEB.-lk' t'ar"îB' aw>V'©÷-hm;-l[; 48b
Foi para isto que criaste todos os Bünê-´ädäm? tw<M"+-ha,r>yI al{åw> hy<x.yIâ) rb,g<å
ymiÛ 49a
Que homem vive, e não vê a morte? `hl's,( lAaåv.-dY:mi Avßp.n: jLe’m;y> 49b
Escapa a vida dele da mão do šü´ôl? yn"+doa] ~ynIïvoarIh' ^yd<Þs'x] hYEÜa; 50a
Onde estão as tuas lealdades antigas, Senhor? `^t<)n"Wma/B, dwI©d"l.÷ T'[.B;îv.nI 50b
(Tu) juraste a Davi pela tua fidelidade... ^yd<_b'[] tP;är>x, yn"doa]â rkoæz> 51a
Lembra-te, Senhor, do opróbrio dos teus servos. `~yMi([; ~yBiîr:-lK' yqiªyxeb.÷ ytiîaef. 51b
(Eu) carrego no meu colo todas essas
muitas pessoas. hw"+hy> ^yb,îy>Aa Wpßr>xe rv<Üa] 52a
Porque têm afrontado os teus inimigos, Yahweh, `^x<)yvim. tAbïQ.[i Wpªr>xe÷ rv<ïa] 52b
porque têm afrontado os passos do teu ungido. `!mE)a'w> Ÿ!mEïa'« ~l'ªA[l.÷
hw"ïhy> %WrßB' |
[v. 47-52] Mas uma situação dessas não é possível, se tudo a quanto o
rei-salmista se referira se pode conceder crédito. E o rei concede. Por
isso, a pergunta é compreensível: “até quando?”. Yahweh
escondeu-se, e arde, queima a sua cólera. É necessário que Yahweh
lembre-se do rei, recorde-se do juramento que fez a Davi, de sua
lealdade, de sua fidelidade. A vida já lhe escapa, e, com base em toda
a argumentação retórica do rei, resta-lhe perguntar: “foi para isso
que criaste todos os Bünê-´ädäm?
Essa expressão encontra-se em outros lugares, onde, então, é
indiscutivelmente uma referência ou ao rei, diretamente, ou ao conjunto
constituído pelo rei e pelo sistema de governo da cidade (cf. Sl 53;
58). O termo ´ädäm é utilizado de forma muito dúbia na Bíblia Hebraica, hora cabendo a ele
o domínio, como em Gn 1,1-2,4a, ora lhe sendo pertinente o trabalho no
campo (Gn 2,4b-3,24). Uma pragmática forneceria a chave para a leitura
desse termo, isto é, que o seu sentido depende
do contexto ideológico em que ele é inserido. Tecnicamente, refere-se
ao “rei” e à corte, respectivamente, ao sistema de governo, incluídos
aí os elementos secundários, mas representativos da figura do poder
real (Bünê-´ädäm). Pragmática
semelhante cabe aplicar, por exemplo, à expressão “povo da terra”,
que, em alguns contextos, comporta-se como termo técnico, referindo-se
a um contingente social específico, enquanto que, em outros, constitui
termo de designação genérica de uma população qualquer. Na pragmática
cosmogônica, ´ädäm é o fundamento político
da “criação” (reino e domínio). Daí que o rei-salmista pode,
legitimamente, perguntar se é, então, para isso que Yahweh “cria”
todos os Bünê-´ädäm, isto é, para
deixá-los, agora, morrer. Sem eles, o que será da “criação”? As
lealdades antigas, ou “primordiais”, mesmo fundacionais, “onde estão
(...) Senhor?” (v. 50a). E quanto ao juramento feito a Davi (v. 50b)?
E quanto ao povo, que cabe ao rei carregar no colo (v. 51b)? Yahweh vai
deixá-los abandonados, entregues ao opróbrio (v. 51a)? O rei
“conhece” seu papel cosmogônico de manutenção da criação. Que
corre o risco de desfazer-se, e já se vai desfazendo, porque os
inimigos de Yahweh têm afrontado os passos do seu ungido” (v. 52). |
Osvaldo Luiz Ribeiro
05 e 06/12/2006